quarta-feira, 15 de junho de 2011

Inglaterra : Southampton & Londres : O atentando terrorista!

Para um estudante, cada centavo vale ouro. Na época eu morava na Espanha com minha ex-namorada e um grupo de amigos, quando decidi rodar pela Europa, sem grana. Para economizar, comecei a pedir abrigo para os conhecidos que morassem por lá. Podia ser primo do colega do amigo, sem nenhum problema. Não pagar hotel já era uma boa economia. E em Londres consegui.

Na verdade eu achei que tivesse conseguido. Um dia antes de chegar em Londres, com o mochilão quase nas costas para embarcar, descobri que a menina que iria nos alojar morava  a quase 3 horas da capital. E ela ainda disse: “Não se preocupem, é do ladinho!” Ah vá! E agora? Nem compensava ir e voltar todos os dias, pois, além de perder no mínimo 6 horas se locomovendo, a passagem ida e volta custava quase 60 libras, na época seriam quase 300 reais!

Em cima da hora todos os hotéis baratos estavam lotados (e os caros também!). Óbvio, era Junho, pleno verão europeu. E pra piorar, justo neste final de semana iria acontecer o  Torneio de Wimbledon, o  campeonato de tênis mais chique do mundo. Toda a elite mundial estaria lá. E eu, quase um pé-rapado, também.

Dos 4 dias que ficaríamos por lá, fomos obrigados a dividir: 2 dias na cidade da amiga e 2 dias em Londres. Assim, só precisaríamos pagar uma noite de hotel. Mas eu tinha um plano e ainda precisava convencer a patroa: dormir na rua! Por que não?

Até que a ida a Southampton, a tal cidade “do ladinho”, valeu a pena. É basicamente uma cidade portuária (a maior do sul da Inglaterra!) e tem a segunda muralha medieval mais longa da Inglaterra. Foi de seu porto que, em 1912, o Titanic partiu para sua primeira viagem. Não preciso nem falar que foi a única, né? Na cidade tem um Museu Marítimo dedicado basicamente ao Titanic, onde existem muitas relíquias e uma sessão emocionante onde conta a história de muitos dos que morreram no naufrágio! 

 

Mas a visita forçada à cidade também serviu pra derrubar o mito de que os ingleses são extremamente pontuais. O marido da amiga ficou de nos buscar na rodoviária às 17h. Sabe que horas ele chegou? 17:50. Sem falar no segundo atraso, quando ele ficou de nos levar de volta na rodoviária. Marcamos para sair as 6. Ele se atrasou, de novo, e acabamos perdendo o ônibus das 6:30. Como ele tinha que trabalhar, nos abandonou deixou na rodoviária, numa friaca e chuva danada, onde esperamos até o próximo ônibus. Quase 1 hora depois, estávamos embarcados para o nosso destino original. É, minha gente, as vezes o barato sai caro!

                                                    O Inglês “pontual”!

Londres é mesmo uma cidade multicultural: negro, branco, amarelo, vermelho. Todos se cruzando pelas ruas “cinzentas” e agitadas da metrópole da rainha. Entre uma visita e outra ao famoso Big Ben e ao luxuoso Palácio de Buckingham, minha então namorada perguntava: “Mas e o Hotel?”. Eu enrolava.

DSC03650   

No final da noite, depois de muitos “mas e o Hotel?” e muita enrolação, eu consegui convencê-la.

“Calma, é só uma noite.” 

Guardamos nosso dinheiro no armário alugado da estação de ônibus, usamos uma das mochilas como travesseiro e... “Senhores, vocês precisam sair, a estação vai fechar!” Como assim? Londres nunca para! “Vocês não estão sabendo? Explodiram um carro bomba hoje e por segurança todos os lugares públicos serão fechados. Bora!”

Era mais de uma hora da manhã e, debaixo de uma típica garoa londrina, sem dinheiro no bolso, com os hotéis todos lotados, no dia de um atentado terrorista, tínhamos uma simples missão: achar onde dormir.

[Continua]

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