segunda-feira, 27 de junho de 2011

Inglaterra : Londres : O atentado terrorista e a cama mais cara do mundo!

Se você perdeu a primeira parte, não deixe de ler, clicando AQUI!

Minha ex namorada me fulminava com os olhos. “E agora, sabichão?”

Debaixo de uma garoa fina e fria, fomos andando pelas ruas atipicamente desertas de Londres. Meu plano A tinha sido destruído, mas rapidamente tracei um novo plano, o B. (Jura?)

“Vamos então dormir embaixo de alguma dessas marquises aqui da Victoria Station.”

Acho que eu nem consegui terminar a frase e fui interrompido por uma lufada fulminante de uma simples palavra.

“Não”.

É, não tinha jeito, tínhamos que procurar algum lugar pra dormir. Mas, além de achar algum hotel “barato” com vagas, tínhamos que convencer o recepcionista a deixar-nos dormir sem pagar, já que todo o dinheiro estava no guarda-volumes da estação, que fazia tempo que estava fechado.

Após umas 5 ou 6 tentativas frustrantes, encontramos um hotel que tinha vagas. Perdão, “vagas” não, uma única vaga. Não era um hotel “super caro”, mas em comparação aos que iríamos ficar nos outros destinos, era um 5 estrelas! Agora era convencer o recepcionista muçulmano a nos “vender fiado”. Será que ele achou que eu era o terrorista e precisava me esconder? Não sei, mas depois de muita lábia, seja lá porque,  ele deixou.  Mas com um porém:

“Amanhã as 7 da manhã eu troco de turno, você vai precisar antes deste horário me pagar".

E tinha outro jeito? Isso já eram quase 3 horas da manhã. Para eu pagar o cara até as 7, eu deveria levantar as 6, andar até a estação de ônibus, pegar a mochila de volta, ir até uma casa de câmbio 24h (com uma taxa de conversão horrível), trocar os meus Euros por Pounds, voltar para o Hotel, pagar o quarto e pronto, voltar a dormir.

As 6 em ponto eu estava de pé e fiz todo o planejado, menos o “voltar a dormir”. Já que eu tinha acordado, ia era aproveitar minhas últimas horinhas na cidade! Tudo bem que gastei quase 300 reais para dormir menos de 3 horas e até queria compensar o dinheiro gasto, mas entre uma cama barulhenta em um quarto mofado e Londres, preferi a segunda.

Obviamente que, no dia seguinte ao atentado terrorista, cancelaram a troca da guarda. Mas mesmo sem o tal atentando, dificilmente ela aconteceria, pois o dia estava bastante chuvoso.

Ah, em falar no atentado, aposto que vocês pensaram: “caraca, o Rodrigo é mesmo exagerado, devem ter tentado explodir um cabeção-de-nego e ele aí valorizando a situação.”

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Pra quem pensou isso, seguem links que comprovam a veracidade e importância do acontecimento. Vamos aos fatos:

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/2007_London_car_bombs

CBS News: http://www.cbsnews.com/stories/2007/06/29/terror/main2996470.shtml

You Tube:

Tá bom ou querem mais?

Resolvi ligar pra casa para dar o ar da graça, minha mãe quando atendeu só faltou agradecer a Alá. Estavam todos desesperados com a notícia do atentado, que rodou todos os canais de TV do Brasil. Mal sabia ela que eu só fiquei sabendo pelo guardinha da rodoviária!

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Depois desse trauma sofrido em Londres, prometi pra mim que um dia voltaria lá e ficaria no mínimo uns 10 dias, pra tentar aproveitar tudo o que eu não aproveitei. E esse dia está chegando: daqui a 3 dias embarco para Londres, onde vou ficar 2 semanas! Pelo menos assim foi o planejado e espero de coração que tudo dê certo e que eu possa aproveitar tudo o que eu não aproveitei antes. Mas isso não depende só de mim.

Até lá, ou até qualquer outro lugar!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Inglaterra : Southampton & Londres : O atentando terrorista!

Para um estudante, cada centavo vale ouro. Na época eu morava na Espanha com minha ex-namorada e um grupo de amigos, quando decidi rodar pela Europa, sem grana. Para economizar, comecei a pedir abrigo para os conhecidos que morassem por lá. Podia ser primo do colega do amigo, sem nenhum problema. Não pagar hotel já era uma boa economia. E em Londres consegui.

Na verdade eu achei que tivesse conseguido. Um dia antes de chegar em Londres, com o mochilão quase nas costas para embarcar, descobri que a menina que iria nos alojar morava  a quase 3 horas da capital. E ela ainda disse: “Não se preocupem, é do ladinho!” Ah vá! E agora? Nem compensava ir e voltar todos os dias, pois, além de perder no mínimo 6 horas se locomovendo, a passagem ida e volta custava quase 60 libras, na época seriam quase 300 reais!

Em cima da hora todos os hotéis baratos estavam lotados (e os caros também!). Óbvio, era Junho, pleno verão europeu. E pra piorar, justo neste final de semana iria acontecer o  Torneio de Wimbledon, o  campeonato de tênis mais chique do mundo. Toda a elite mundial estaria lá. E eu, quase um pé-rapado, também.

Dos 4 dias que ficaríamos por lá, fomos obrigados a dividir: 2 dias na cidade da amiga e 2 dias em Londres. Assim, só precisaríamos pagar uma noite de hotel. Mas eu tinha um plano e ainda precisava convencer a patroa: dormir na rua! Por que não?

Até que a ida a Southampton, a tal cidade “do ladinho”, valeu a pena. É basicamente uma cidade portuária (a maior do sul da Inglaterra!) e tem a segunda muralha medieval mais longa da Inglaterra. Foi de seu porto que, em 1912, o Titanic partiu para sua primeira viagem. Não preciso nem falar que foi a única, né? Na cidade tem um Museu Marítimo dedicado basicamente ao Titanic, onde existem muitas relíquias e uma sessão emocionante onde conta a história de muitos dos que morreram no naufrágio! 

 

Mas a visita forçada à cidade também serviu pra derrubar o mito de que os ingleses são extremamente pontuais. O marido da amiga ficou de nos buscar na rodoviária às 17h. Sabe que horas ele chegou? 17:50. Sem falar no segundo atraso, quando ele ficou de nos levar de volta na rodoviária. Marcamos para sair as 6. Ele se atrasou, de novo, e acabamos perdendo o ônibus das 6:30. Como ele tinha que trabalhar, nos abandonou deixou na rodoviária, numa friaca e chuva danada, onde esperamos até o próximo ônibus. Quase 1 hora depois, estávamos embarcados para o nosso destino original. É, minha gente, as vezes o barato sai caro!

                                                    O Inglês “pontual”!

Londres é mesmo uma cidade multicultural: negro, branco, amarelo, vermelho. Todos se cruzando pelas ruas “cinzentas” e agitadas da metrópole da rainha. Entre uma visita e outra ao famoso Big Ben e ao luxuoso Palácio de Buckingham, minha então namorada perguntava: “Mas e o Hotel?”. Eu enrolava.

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No final da noite, depois de muitos “mas e o Hotel?” e muita enrolação, eu consegui convencê-la.

“Calma, é só uma noite.” 

Guardamos nosso dinheiro no armário alugado da estação de ônibus, usamos uma das mochilas como travesseiro e... “Senhores, vocês precisam sair, a estação vai fechar!” Como assim? Londres nunca para! “Vocês não estão sabendo? Explodiram um carro bomba hoje e por segurança todos os lugares públicos serão fechados. Bora!”

Era mais de uma hora da manhã e, debaixo de uma típica garoa londrina, sem dinheiro no bolso, com os hotéis todos lotados, no dia de um atentado terrorista, tínhamos uma simples missão: achar onde dormir.

[Continua]

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Portugal : Lisboa : Uma escapadela lisboeta

Trabalhar em Angola tem seus contras, mas também tem seus prós! E um deles é poder aproveitar as viagens de ida e volta para fazer rápidas paradas em alguns lugares bem legais! Nos últimos posts eu contei sobre meu tour de 24h em Joanesburgo! Hoje vou contar um pouco sobre minha tarde em Lisboa, capital de Portugal!

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Na verdade, eu nem ia sair do aeroporto. Já conheço Lisboa e, depois de gastar tanto em Joanesburgo e no Brasil, ia sossegar meu facho em algum banco duro por lá. Mas eu cheguei no aeroporto tão stressado e cansado da noite mal não dormida no avião fazendo o trecho Rio x Lisboa que não queria ficar de 1 da tarde até 10 da noite lembrando daquela adorável criancinha gritando, pulando, chorando e berrando no banco da frente do meu assento. Na boa, por um momento eu cheguei a pensar: crianças deveriam ser transportadas no mesmo compartimento dos animais a bordo, dentro daquelas casinholas e sedadas. E o pior são os pais, que acham que aquela histeria infantil é normal. Será que é normal?

Bom, como tenho alma de turista, decidi então aproveitar essas horinhas respirando ares portugueses. Separei carteira, passaporte, dinheiro e… Cacete, não estou com minha máquina fotográfica! Tá, tudo bem, vai sem máquina mesmo. Celular hoje em dia serve pra isso!

Deixei a mala de mão no “hotel de bagagem” do aeroporto, troquei 100 dólares e peguei o ônibus que liga Portela (o aeroporto de Lisboa) ao centro  turístico de Lisboa.

Fazia 4 anos que eu não pisava em solos europeus. Tudo o que eu vivi por lá foi automaticamente resgatado das minhas gavetinhas de memória. Aproveitei para me deliciar com os quitutes portugueses, principalmente o pastel de nata. Ah, como é bom! E as azeitonas? Hum… Fiquei muito tentado a comer aquelas cerejas que vendem nas ruas, mas com esse surto de e.coli rondando a Europa decidi não arriscar.

Basicamente fiquei na famosa zona da Baixa, construída por ordem de Marques de Pombal na sequência do terremoto que assolou Portugal em 1755. A Rua Augusta, a principal rua da região, começa na praça D. Pedro IV (Rossio). É uma rua de uso exclusivo de pedestres e concentra muitas lojas, bares, restaurantes, casas de ofício e museus.

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Caminhei por ali me segurando para não entrar nas lojas. Calma Rodrigo, você só tem 60 Euros (o que me rendeu dos 100 dólares) e seu cartão de crédito está mais que estourado! Ao final da rua, e com apenas uma sacola na mão, chega-se ao Arco da Vitória (e que vitória! Só uma sacola!), que está de cara pro Rio Tejo. Lá eu me sentei por alguns instantes para descansar e, olhando de volta para a cidade, avistei o Castelo de São Jorge.

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Caramba, é aquele Castelo que eu não entrei quando eu vim aqui pela primeira vez. Cheguei na porta, tirei foto e fui embora, já que na altura eu tinha que escolher: ou pagar a entrada ou jantar. Ainda tenho tempo, acho que vou lá!

E assim fui, caminhando pelas ruas íngrimes que dão acesso ao monumento. Cruzei com o bonde de Lisboa, que funciona desde 1873 e percorre os 25km de trilhos, e novamente vi minhas lembranças passarem, embarcadas nele.

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Continuei a subida e cruzei com uma rua de nome “curioso” e me perguntei: quem será que os portugueses queriam homenagear? Será que os meus conterrâneos funkeiros cariocas?  E como dizem as más línguas por aí que português é burro, até que poderia ser! Acho que falei demais.

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Tentando me safar: mas dessa história de burrice eu discordo, pois se fossem burros não nos teriam roubado tanto e por tanto tempo. Acho que piorei, né?

Ô pá, desculpem-me lá, amigos da terrinha, mas isso lá é bem verdade! Melhor voltar ao que interessa.

O Castelo de São Jorge, que já foi residência da Corte Portuguesa, ergue-se na mais alta colina do centro histórico. Foi palco de disputa entre os mouros e os portugueses em séculos passados e, hoje, é palco da disputa entre os visitantes para se ter acesso a uma das mais belas vistas de Lisboa. Depois de quase uma hora percorrendo as antigas muralhas, torres e fossos da cidadela, uma leve chuva começou a cair, anunciando o fim da minha tarde na capital portuguesa.

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Fiz um rápido “almo-janta” aos pés do Castelo e voltei revigorado (e ainda com 10 Euros na carteira!) para o aeroporto, sabendo que eu provavelmente teria que aguentar mais uma noite de crianças gritando, pulando, chorando e berrando no banco da frente do meu assento. E não deu outra. Mas, faz parte!

Como grande parte dos voos mais baratos para a Europa passam por Lisboa, acho que pode ser interessante compartilhar com vocês essas informações. Vou colocar aqui alguns valores de referência:

Diária de uma mala de 10kg no “Hotel de Bagagem” – 2,97 Euros

Ticket ida e volta do aeroporto para o centro histórico (Aerobus) – 3,5 Euros

1 Água e 1 Pastel de Nata – 1,9 Euros

Almoço Simples com refrigerante – 13 Euros

Internet (15 minutos) – 0,75 Euros

A ideia principal deste post é tentar fazer com que as pessoas que também tenham essas “poucas horinhas” em Lisboa façam delas “boas horinhas”. É óbvio que você não vai conhecer quase nada, mas é bom, pois ficará com gostinho de “quero mais”. Eu quero!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

África do Sul : Johannesburgo : Vapt-Vupt (Parte V)

Depois de uma meia hora, estávamos na porta do Mandela Square. Até então eu estava dando sorte, este dia era feriado no país e quase não existia trânsito. Conseguimos ir-e-vir com bastante facilidade. Mas, como tudo não pode ser perfeito, a maioria das lojas do shopping estavam fechadas. É, pensando bem, na verdade nesse caso eu também dei sorte, pois se não tenho certeza que quem ia ficar muito feliz era meu cartão de crédito. Mesmo assim ainda consegui encontrar algumas boas lojas abertas.

Mesmo pra quem não quer comprar, o shopping é uma boa pedida. Na praça de alimentação existem boas opções de bares e restaurantes, além da enorme estátua do tão querido Nelson Mandela. Dá uma olhada no tamanho! (Obs.: não sei ainda como não inventaram moda de fazer uma estátua desse tipo do Lula aí no Brasil. Se fizerem, não esqueçam que ele só tem 4 dedos em uma das mãos!)

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Saí do shopping e fui rumo ao…

-Chega né?

É, chega mesmo! Meus pés estavam doendo e minha carteira estava bem vazia! Pra quem está pensando em ir para a África do Sul, prepare-se. Achei tudo de uma maneira geral bem carinho, ainda mais quando nos damos conta que estamos na África! (Lá embaixo tem umas ideias de valores!)

No caminho de volta pro Hotel, dentro do carro do motorista que ficou comigo o dia todo, começou a tocar na rádio uma música do ex-pagodeiro-que-se-acha Alexandre Pires. Perguntei pro motorista se ele conhecia o artista e sabia o que ele estava cantando. Daí ele me respondeu:

-Entendo sim, eu falo português! Sou de Moçambique.

-Não acredito, eu também! Eu sou brasileiro! Ué, mas seu nome não é Steve?

-Não, é Estevão. Steve é como me chamam por aqui.

P-O-R-R-A. Eu falei o dia inteiro em Inglês com um cara que fala a minha língua? Tudo bem, tudo bem, foi bom para eu treinar o idioma!

A noite eu ainda tive ânimo de ir em um Pub. Tudo bem que o bar fica do lado do hotel! Me esbaldei tanto de comer, que só vendo! Nem preciso falar que no dia seguinte estava mal-disposto né? Tive que enfrentar um dia inteiro de avião me contorcendo de dor! Mas tudo bem, valeu a pena!

Bom, até que eu tive um dia bastante movimentado, né?

Pra quem perdeu os outros posts, seguem os links, junto com alguns valores para quem está pensando em ir para lá.

Vamos por partes:

Parte I – Cassino:

Táxi Hotel –Cassino  - Hotel (10 minutos cada trecho) : R250

Jantar Cassino – R250

Parte II e III- Soweto:

Tour de Bicicleta – R320

Parte IV - Lion Park:

Game Drive – R195

Cesta Básica do Viajante:

Diária Hotel próximo Aeroporto– R950

1 Hora de Internet – R90

Água 300ml - R10

Almoço Simples – R100

Jantar Simples – R150

Aluguel de viatura e motorista por um dia inteiro – R1000

Lembrando que, hoje, a taxa de Dólar para Rands é 1 x 6.8!

 

Ah, lembrando: a África do Sul, diferentemente dos países europeus, libera o Tax Refund sem precisar dos formulários emitidos pelas lojas. Basta apresentar as notas fiscais diretamente no balcão do aeroporto. Mas não esqueça, você precisa também apresentar os produtos comprados! Eu dei mole e acabei despachando a maioria na mala. Só alguns itens que eu tinha levado comigo!

Bom, até a próxima! Pra onde é que eu vou, hein? Vamos ver!

Digo a Bordo!

"Ao retornar de uma viagem, não sei se o mundo diminuiu ou eu é que cresci."

Quer sugerir um destino? Tirar Dúvidas? Ou somente elogiar mesmo?
Escreva para rodrigofranco@digoabordo.com
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