terça-feira, 24 de maio de 2011

África do Sul : Johannesburgo : Vapt-Vupt (Parte III)

Ainda em Soweto, fui conhecer um dos locais mais pobres de lá: Mzimhlope Hostel. Na época do Apartheid, construíam alguns hostels para abrigar os negros. As condições era subumanas. 4 homens por quarto, 1 banheiro para cada 16 pessoas. Higine, conforto e bem estar zeros!
old-houses
Hoje em dia, o aspecto é bem melhor. Não sei se já estou acostumado a ver pobreza em meu país e, agora em Angola, me acostumei mais ainda. Mas não me choquei muito. Pelo contrário.
Pra variar, a alegria do povo é contagiante. Durante o passeio, um senhor me chamou e me convidou para tomar uma cerveja com os amigos dele. O meu guia traduziu, pois ele falava Zulu, um dos dialetos mais falados no país, e eu aceitei. Fomos para um bar? Não, nada disso. Fomos para dentro de um abrigo feito de chapas de zinco, onde uns 10 senhores, entre homens e mulheres, se protegiam do frio no meio de uma fogueira improvisada e bebiam cerveja. Trocamos poucas palavras, mas foi suficiente para aquele momento se eternizar em minha mente.
Provei a umqombothi, cerveja sulafricana feita artesanalmente com milho, e aprendi como deveria dizer se estava boa ou ruim. Estava boa! Depois o alguidar onde estava o líquido com cor de chocolate ao leite foi rodando entre os amigos. Era feriado na África do Sul e aquelas pessoas, a maioria desempregada, estavam ali para socializar. No dia seguinte, estariam nas ruas, oferecendo serviços de jardinagem, vendendo trecos que encontram por ai, frutas nos sinais, e por ai vai.
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Depois dali ainda fomos conhecer a casa onde Nelson Mandela morou. Obviamente que ele dispensa apresentações, né? Tudo bem, vai um resuminho: Madiba, como é conhecido por lá, é um negro que lutou pela liberdade em seu país, foi preso, ficou em cárcere durante longos 38 anos, foi prêmio Nobel da Paz e depois assumiu a presidência por 5 anos, conseguindo enfim dar um basta no apartheid. Hoje uma das suas casas, na única rua do mundo onde moraram dois Nobel da Paz, a Vilakazi Street, virou um belo museu, que pode ser visitado diariamente.
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A sensação que eu tenho é que hoje os negros e brancos conseguem conviver em harmonia na África do Sul. Logo que cheguei no aeroporto, fui em uma casa de câmbio trocar dinheiro e tinham duas atendentes: uma negra e uma branca. Infelizmente não tenho como saber se é uma harmonia artificial, mas pelo menos aparentemente a segregação acabou.
Depois disso tudo, vocês devem estar achando que o dia estava acabando né? Nada disso, não tinha dado nem meio-dia!
Me despedi do NK, meu guia do passeio contratado na Lebo Backpapers, me deparei com um local fumando sua maconha tranquilamente, e segui rumo a próxima parada: Lions Park!
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[Continua]

2 comentários:

  1. Que experiência fantástica, Digo! Continue contando suas aventuras, fiquei curiosa!
    Beijo grande!

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  2. Infelizmente ainda existe grande resistencia dos brancos em relação aos negros. Nos passeios em que eu e minha esposa fizemos, lembrando que minha esposa é negra, percebemos alguns olhares de rejeição por parte dos brancos. Alguns chegavam a parar e ficar com a boca aberta olhando pra gente. Eu como um bom carioca e debochado, tascava beijos e abraços em minha 'neguinha'. Mas os negros já lançavam um olhar totalmente diferente, como se quisessem nos comprimentar com a nossa união interracial. Bem, se no Brasil a perseguição contra os negros 'acabou' em 1889 e até hj existe o preconceito, imagine num país em que a segregação racial acabou uns 20 anos atras.

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Digo a Bordo!

"Ao retornar de uma viagem, não sei se o mundo diminuiu ou eu é que cresci."

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