quarta-feira, 25 de maio de 2011

África do Sul : Johannesburgo : Vapt-Vupt (Parte IV)

O Lion Park é um parque de 2km² que fica bem próximo de Johannesburgo. Para quem não tem muito tempo pela África do Sul e conhecer o Kruger, o maior parque do país, ficou fora do roteiro, o programa é uma excelente pedida para se sentir um pouquinho próximo da vida selvagem africana. Lá existem leões, é claro! Mas também existem zebras, girafas, gnus, antílopes, hienas e até um grupo de chitas!

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O parque foi criado em 1966 e hoje abriga mais de 80 leões, inclusive os quase extintos leões brancos. Hoje estima-se que existam somente 300 animais desta subespécie. Só por isso já vale a visita!

O mini-safári começa no campo dos animais herbívoros. Você tem duas opções para entrar: com seu próprio veículo ou com o tour do próprio parque, em caminhão apropriado para safári. Eu prefeir ir no tour do parque, pois assim seria acompanhando por um guia local. Para falar a verdade, o primeiro campo é bem entediante. Já tô cansado de ver zebras e afins em zoológico né? Tudo bem que lá eles estão soltos em seu “habitat”, mas obviamente todo mundo quer é ver os leões.

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Depois do massante excitante passeio no campo dos herbívoros, fomos para o campo dos carnívoros. De cara já chegamos na área dos leões! Ver os leões sem aquelas grades de zoológico é bem mais legal! Mas não espere vê-los correndo de um lado pro outro, caçando alguma zebra. Os leões são animais bem calmos e preguiçosos, pra falar a verdade. Dos 80 leões que vi, acho que só uns 2 ou 3 estavam acordados. E de todos, só um deles levantou! Mas mesmo assim valeu a pena. Dá uma olhada:

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Além dos leões, nesta área estão os cachorros selvagens, hienas e as chitas, também conhecidas como guepardo. Caramba, as chitas são os animais mais velozes do mundo, podendo chegar a uma velocidade de 120km/h e conseguindo fazer de 0 a 100km/h em apenas 3 segundos! Dei sorte porque quando entramos na área delas, o caminhão que alimenta os animais tinha acabado de passar. Elas ficaram que nem tarado no cio, correndo de um lado pro outro! Elas são rápidas MESMO. Uma delas inclusive deu um salto no ar que todo mundo no caminhão ficou embasbacado. Óbvio que eu também.

Cheetah running

Depois do tour, você pode entrar na incubadora dos bebês leões. Pra variar, eles também estavam dormindo, mas mesmo assim deu para fazer carinho e brincar um pouco com eles.

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Mas cuidado: o parque diz que a responsabilidade de entrar ali é inteiramente sua e eventualmente pessoas são machucadas pelos leõezinhos. Vamos combinar né, um filhote de leão com certeza já nasce com instinto de caça e tem uma pata se bobear maior que a de um pitbull. Será que um pitbull ganharia de um bebê leão? Agora fiquei curioso! (Amigos protetores dos direitos dos animais, fiquem tranquilos que eu fiquei só curioso, não seria a favor de que esse teste fosse realizado não, ok? Pra chegar um mandato de prisão pra mim não custa, né!?)

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Além dos bebês de leão, nesse espaço existem girafas, avestruz, hienas, dentre outros animais. Mas o que mais gostei de ver foi, sem dúvida, o suricato!

-Oi?

Vai dizer que não lembra do Timão, amigo do Pumba? Então, aquele bichinho engraçado é um suricato! E realmente, na vida real ele também é engraçado. O bichinho tava lá, em posição de alerta, debaixo de sol, se sentindo o rei da selva. Ele ficava olhando pra minha cara com um ar de desconfiança, serinho. Mas acabei descobrindo que os suricatos vivem em comunidades e dividem as tarefas, inclusive a de vigia! O turno era dele!

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Olhei pro relógio e me assustei: já eram 4 horas da tarde e eu ainda não tinha almoçado. Fiz um lanche rápido na lanchonete do parque e “meti o pé”. Meu dia finalmente tinha acabado? Que nada, a próxima parada era o Nelson Mandela Square, um dos maiores shoppings de Johannesburgo. Afinal, sou um simples mortal e mereço umas compras!

Ah, falando em compras, vale ressaltar: dentro do Lion Park tem uma lojinha de souvenir com uns artigos muito legais. Artesanato, roupas, livros, bichos de pelúcia! Artigos bem bonitos e nem achei tão caro. Vale a pena conferir! Eu comprei umas peças de artesanato por um preço justo.

[Continua, ainda!]

terça-feira, 24 de maio de 2011

África do Sul : Johannesburgo : Vapt-Vupt (Parte III)

Ainda em Soweto, fui conhecer um dos locais mais pobres de lá: Mzimhlope Hostel. Na época do Apartheid, construíam alguns hostels para abrigar os negros. As condições era subumanas. 4 homens por quarto, 1 banheiro para cada 16 pessoas. Higine, conforto e bem estar zeros!
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Hoje em dia, o aspecto é bem melhor. Não sei se já estou acostumado a ver pobreza em meu país e, agora em Angola, me acostumei mais ainda. Mas não me choquei muito. Pelo contrário.
Pra variar, a alegria do povo é contagiante. Durante o passeio, um senhor me chamou e me convidou para tomar uma cerveja com os amigos dele. O meu guia traduziu, pois ele falava Zulu, um dos dialetos mais falados no país, e eu aceitei. Fomos para um bar? Não, nada disso. Fomos para dentro de um abrigo feito de chapas de zinco, onde uns 10 senhores, entre homens e mulheres, se protegiam do frio no meio de uma fogueira improvisada e bebiam cerveja. Trocamos poucas palavras, mas foi suficiente para aquele momento se eternizar em minha mente.
Provei a umqombothi, cerveja sulafricana feita artesanalmente com milho, e aprendi como deveria dizer se estava boa ou ruim. Estava boa! Depois o alguidar onde estava o líquido com cor de chocolate ao leite foi rodando entre os amigos. Era feriado na África do Sul e aquelas pessoas, a maioria desempregada, estavam ali para socializar. No dia seguinte, estariam nas ruas, oferecendo serviços de jardinagem, vendendo trecos que encontram por ai, frutas nos sinais, e por ai vai.
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Depois dali ainda fomos conhecer a casa onde Nelson Mandela morou. Obviamente que ele dispensa apresentações, né? Tudo bem, vai um resuminho: Madiba, como é conhecido por lá, é um negro que lutou pela liberdade em seu país, foi preso, ficou em cárcere durante longos 38 anos, foi prêmio Nobel da Paz e depois assumiu a presidência por 5 anos, conseguindo enfim dar um basta no apartheid. Hoje uma das suas casas, na única rua do mundo onde moraram dois Nobel da Paz, a Vilakazi Street, virou um belo museu, que pode ser visitado diariamente.
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A sensação que eu tenho é que hoje os negros e brancos conseguem conviver em harmonia na África do Sul. Logo que cheguei no aeroporto, fui em uma casa de câmbio trocar dinheiro e tinham duas atendentes: uma negra e uma branca. Infelizmente não tenho como saber se é uma harmonia artificial, mas pelo menos aparentemente a segregação acabou.
Depois disso tudo, vocês devem estar achando que o dia estava acabando né? Nada disso, não tinha dado nem meio-dia!
Me despedi do NK, meu guia do passeio contratado na Lebo Backpapers, me deparei com um local fumando sua maconha tranquilamente, e segui rumo a próxima parada: Lions Park!
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[Continua]

quinta-feira, 5 de maio de 2011

África do Sul : Johannesburgo : Vapt-Vupt (Parte II)

O que vem à sua cabeça quando você ouve a palavra Soweto? Até semana passada, eu lembraria em primeiro lugar daquele grupinho de pagode que estourou no Brasil nos anos 90. Até semana passada.

Hoje, para mim, Soweto é a representação máxima do Apartheid na África do Sul e da luta contra esta segregação racial. De forma estupidamente resumida, o Apartheid começou no ano de 1948, restringindo os direitos dos habitantes do país, em sua maioria negros, em prol da minoria branca.

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E Soweto, criado em 1963, é um bairro onde os negros e outras minorias foram obrigados a viver. Onde hoje, já uma cidade, habitam mais de 2 milhões de pessoas.

E era exatamente para lá que eu iria.

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Percorri os principais pontos e as principais ruas de Soweto em uma bicicleta, acompanhado de um guia local.

O que mais me chamou a atenção, foi a Praça Hector Pieterson. Eu não fazia ideia de quem tinha sito este homem. Até que descobri.

E não, ele não conseguiu chegar a ser um homem, pois morreu aos seus 12 anos, ainda uma criança, na manifestação mais famosa do Apartheid: a “16 de Junho”.

O ano era 1976 e cerca de 20 mil de estudantes sairam às ruas de Soweto para protestar contra a adoção do “Afrikaans” nas escolas, uma das 11 línguas oficiais da África do Sul. Foram recebidos a tiros pelos policiais do regime. Os números oficiais dizem que morreram 176 pessoas. Especula-se que foram mais de 600.

No dia seguinte, uma foto rodou o mundo. Um menino ensanguentado, no colo de um homem até então desconhecido buscando auxílio, ao lado de uma menina desesperada por perder seu irmão. Esse menino foi o primeiro a morrer no embate. Esse menino era Hector Pieterson.

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Hoje existe um museu e um monumento em homenagem a este menino e todas as outras crianças que morreramm no dia 16 de junho. A simbologia do lugar é ainda mais emocionante. A água que escorre e cai no chão da praça representa as lágrimas derramadas durante o massacre. E as pedras no chão da praça representam as pedras que os meninos jogavam na polícia, para tentar se defender das balas de revólver. Uma luta covarde.

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Hoje em dia, Soweto é um lugar aparentemente tranquilo. As pessoas aos poucos vão voltando a ver sentido na vida. E as novas crianças que por aquelas ruas correm e brincam, ainda não conhecem a história daquele lugar. Toda vez que eu passava por uma, elas abriam um sorrisão, vinham correndo atrás da minha bicicleta, dando tchau à medida que me viam passando, como se me conhecessem desde pequenininhos. Em todo rosto eu via Hector Pieterson. Mas não o menino ensanguentado. Via o menino sorridente e feliz que ele devia ser.

Soweto hoje sorri.

Soweto para mim representa uma África que se levanta e se ergue a cada dia.

[Continua]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

África do Sul : Johannesburgo : Vapt-Vupt (Parte I)

As vezes as melhores viagens são aquelas que acontecem por acaso, sem muito planejamento. Como fui obrigado a tirar “férias forçadas” de Angola e meu voo para o Brasil fazia escala na África do Sul, modifiquei o trecho Johannesburg x São Paulo para um dia depois e consegui um dia livre para aproveitar uma principal sede da última Copa do Mundo de Futebol.

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Para o engano de muita gente, Johannesburgo não é a capital, apesar de ser cidade mais populosa. Acaba sendo a cidade que realmente movimenta a economia do país, muito ligada a abundância de ouro e diamante na região, motivo pela qual foi fundada, em 1886. O aeroporto da cidade, o Tambo, é o maior e mais movimentando aeroporto de todo o continente africano. Liga a África do Sul ao mundo e o mundo à Àfrica do Sul.  Poderíamos dizer então que Johannesburgo é a capital da África? Quem sabe!

24 horas para se conhecer uma cidade tão grande é uma missão complicada, quase impossível.  Com uma pesquisa rápida, consegui descobrir muitas coisas interessantes para se fazer por lá: conhecer uma mina de ouro e diamante, visitar a maior “favela” do mundo e o apartheid, conhecer o principal estádio da Copa de 2010, fazer um mini-safári no Parque dos Leões e até se esbaldar nos badalados shoppings da cidade. Só pra citar algumas.

Tive que eleger as minhas favoritas e torcer para eu não me arrepender!

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Cheguei no aeroporto em um domingo a noite. Logo de cara a minha primeira impressão foi: é, realmente esse lugar é a nação do arco-íris.

-Hum, você é bichinha?

Não, pessoal. Um pouco de história:

Ao assumir o poder após o Apartheid, Nelson Mandela se apropriou de uma expressão criada por um arcebispo e disse:

"Each of us is as intimately attached to the soil of this beautiful country as are the famous jacaranda trees of Pretoria and the mimosa trees of the bushveld - a rainbow nation at peace with itself and the world."

E desde então o termo pegou. África do Sul é a nação arco-íris. E é verdade. Lá você vê gente de toda cor. Brancos, negros, vermelhos, amarelos… E a representação máxima disso é a sua bandeira. Nela você encontra 6 cores, que poderiam ser atribuídas aos nossos diversos tons de pele. Lembram dela, né? Pintadas nas tão queridas vuvuzelas que nos aterrorizaram na copa.

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Do aeroporto fui para o hotel tomar um banho e… descansar para o dia seguinte? Que nada! Tomei um banho e fui para um Cassino! Poderia dizer aqui que ganhei sei lá quantos Rands (a moeda do país) nas mesas dos jogos de azar. Mas prefiro dizer a verdade: fui mesmo pra comer! Este Cassino fica dentro do Emperors Palace, um complexo turístico com hotéis, cinemas, discoteca, teatro, lojas e várias opções de bons restaurantes. A temática do complexo é toda baseada nos grandes impérios que a humanidade teve e a praça de alimentação é decorada ao melhor estilo romano! Comi um bom fillet, bebi um bom vinho (1 garrafa sozinho!) e voltei pra casa pra dormir.

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O dia seguinte prometia! Será que eu ia conseguir fazer tudo o que eu tinha programado?

[Continua]

Digo a Bordo!

"Ao retornar de uma viagem, não sei se o mundo diminuiu ou eu é que cresci."

Quer sugerir um destino? Tirar Dúvidas? Ou somente elogiar mesmo?
Escreva para rodrigofranco@digoabordo.com
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