quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Marrocos : A Volta para a Espanha!

Saímos do hotel por volta das 4 da manhã. Já depois de uns 5 minutos de caminhada, uma das nossas amigas, a Helena, lembra que esqueceu no hotel uma bolsa com souvenirs.

P1040051 copy Eu, Liana, Helena e um pedaço da Carol

Ela decide voltar para buscar, sozinha. Enquanto isso continuamos andando, um pouco mais devagar.

Ela entra no hotel, pega a bolsa rapidamente e sai.

Vocês já devem ter ouvido por ai que é perigoso para as mulheres ocidentais andarem em certos países árabes sozinhas? Podem acreditar.

No que ela sai do hotel, um grupo de uns 3 a 4 homens, vindos de direções diferentes, começam a andar atrás dela, falando coisas que ela não entendeu. Eles tinham uma aparência estranha.

Ela repara e aperta o passo. Eles apertam também.

Desesperada, ela corre. Eles correm também.

Até que, por um instinto de sobrevivência, ela grita.

E eles desistem.

Moral da História: um grito histérico de uma mulher pode valer mais que uma 38 carregada.

Brincadeiras a parte, tomem cuidado. Ela enfim encontra com a gente e nos conta o que aconteceu. Todos, sem exceção, apertam o passo. Sou homem, mas não sou bobo.

De Marrakech, pegamos novamente o trem para Casablanca, de onde sairia o nosso vôo com destino a Madrid.

A partir de agora, todos os momentos inesquecíveis que vivi no Marrocos foram apagados da minha mente. O medo de ser deportado para o Brasil me fazia esquecer qualquer outra coisa. A voz da mulher da extranjería espanhola ressoava nos meus ouvidos:

La extranjería de La Coruña les informa que el permiso de regreso fuera negado. Les aconsejamos que no se van a Marruecos, con posibilidad de deportación.

Caraca, parece que naquele momento a ficha tinha caído. Será que valeria a pena trocar meus estudos na Espanha por uma viagem ao Marrocos? Agora já era tarde.

Pegamos nosso vôo e, exaustos dos 5 dias de aventura, apagamos.

DSC02747 DSC02748

Acordei, já quase pousando em Madrid, assustado. Chegou a hora!

Mal descemos do avião, viramos à esquerda e demos de cara com a tão temida Imigração. Porra, não deu tempo nem de armar nenhum plano super elaborado ou ensaiar um discurso. Como éramos um grupo grande de brasileiros e a maioria deles tinha direito a múltiplas entradas, combinamos que os que não tínham, incluindo EU, ficariam atrás da fila. Nossa simples tática era então fazer com que os funcionários vissem primeiro o passaporte dos nossos amigos e, quando vissem os nossos, não se atentassem para o detalhe dos números de entrada no país. Eu, como sou um bom cavalheiro, fiquei por último. (Cavalheirismo porra nenhuma, se desse merda preferia que não começasse comigo!)

Todos a minha frente passaram sem nenhum problema, os caras da imigração mal olharam os passaportes. Quando fui chamado, já caminhei com ar de vitorioso. Mas comigo foi diferente, pra variar.

(Sobe a música de suspense no fundo)

-Senhor, o que pretende fazer na Espanha?

-Eu sou estudante na Espanha, já moro aqui há 3 meses.

-Mas o senhor é marroquinho? Muçulmano, não é?

-Não! Sou Brasileiro, não viu meu passaporte?

Neste momento o cara ficou olhando para a foto do passaporte e para mim.

Passaporte. Eu.

Passaporte. Eu.

Ele não estava certo do que eu havia acabado de falar, e tinha uma cara de quem não estava pra brincadeira. Ficou mais de 10 minutos digitando e consultando a tela do computador dele. Acho que estava tentando ter a certeza que aquele passaporte não era falso e que eu realmente era brasileiro. Mais uma vez fui confundido com um árabe. Eu não sabia o que fazer, suava mais que um porco (porco sua?).

-Pode passar!

Ufa, nunca um som de um carimbo me fez tão feliz na minha vida.

Madrid – Entrada – 21 de Maio de 2007

Meus amigos já estavam desesperados do outro lado do saguão, achando que eu tinha sido “pego” e já estava sendo levado para o voo com destino ao Brasil. Até que eu apareço…

(Desce a música de suspense e sobe “We are the Champions”, que é usada em toda festa de formatura. Eu disse toda).

Fui recebido com honras, glórias e fogos de artifício pelos meus amigos.

Ei, pera aí. Você acha que a aventura acabou aqui? Nada disso.

(Sobe a música de suspense, de novo!)

Por questões ecônômicas, nosso vôo para La Coruña só saia no dia seguinte. E para nossa grata surpresa descobrimos que estávamos COMPLETAMENTE SEM DINHEIRO. Nessa de acharmos que estávamos ricos no Marrocos, torramos a porra toda sem perceber. Só sei que no final das contas, não tínhamos dinheiro nem para sair do aeroporto. Troquei 15 reais que eu achei perdidos na minha mochila por menos de 5 euros, o que me garantiu um sanduíche de queijo e presunto e meia coca-cola. Foi a minha única refeição do dia. E pelo aeroporto ficamos.

A noite chegou, fizemos nossas “camas” e dormimos por lá mesmo, para no dia seguinte bem cedinho voltarmos para nossa cidade.

DSC02751

E no final, salvaram-se todos. E o que ficou? Uma experiência que levarei comigo para sempre.

(Sobem os créditos)

4 comentários:

  1. Tô falando... galera do subúrbio é foda!

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  2. Perfeito!!!

    e tenho dito!!

    ResponderExcluir
  3. ahhhh
    eu tive que dormir em Madrid, me acabei num Big Mac (tentando recuperar os 3kgs que eu tinha perdido) e dormi na esteira!!! passei um dia nesse acampamento no aeroporto!!! eu não tinha forças pra ir pro centro de Madri, meus amigos até queriam, mas quando olhavam para a minha cara de derrotada... me fizeram companhia...

    tudo isso em prol da melhor cia aérea da UE: RYANAIR!!!

    hahahahahahahaha

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"Ao retornar de uma viagem, não sei se o mundo diminuiu ou eu é que cresci."

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