sábado, 30 de julho de 2011

Inglaterra : Londres : Host Family!

A decisão de ficar hospedado em uma casa de família foi tomada com um único objetivo: praticar ainda mais o Inglês, principalmente nas palavras que normalmente na rua você não usa!

Depois de pegar metrô e trem, desci na estação de Plumstead, a mais próxima da casa e fui perguntar a alguém como eu fazia para chegar no endereço, que ficava nesse mesmo bairro. Era um domingo e a rua estava deserta. Não perdi tempo, entrei no primeiro ônibus que passou e comecei a perguntar pros passageiros. Tinha dado certo com o HC. Mas como o raio nunca cai no mesmo lugar, ninguém sabia onde era. Que ótimo.

Mas até que eu tive a brilhante ideia de… abrir o google maps do meu celular! Quando consegui localizar o endereço vi que tinha acabado de passar bem próximo e o ônibus ia a toda velocidade pro sentido contrário. Eu via o pontinho luminoso se afastando do meu destino e comecei a imaginar o quanto eu iria ter que andar com a mala! Desci no primeiro ponto e fui me guiando pelo Santo Google!

É o que eu digo, quem tem boca vai à Roma, mas quem tem o Google Maps vai à qualquer lugar!

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Cheguei na casa uns 15 minutos depois, suando que nem um porco (porco sua?) e toquei a campainha. Quer dizer, não toquei a campainha, porque não achei. Mas comecei a bater palma e gritar pelo nome da Ophelia, a dona da casa. Nada. Esperei uns 5 minutos e nada. Resolvi ligar para ela e, pra minha surpresa, ela não estava em casa. Disse que não sabia que horas eu ia chegar e resolveu sair para ver a corrida da irmã. Que em uma hora estaria em casa! QUE ÓTIMO.

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Em uns 30 minutos ela chegou e pude entrar em casa, ela toda sorridente dizendo que a irmã tinha sido bem colocada na corrida e que eles iriam comemorar. A casa era simples, mas ajeitadinha. Dentro da casa eu não podia andar de tênis ou descalço, tinha que usar pantufas! Eu disse que, claro, não levei e ela me deu um par! Meu quarto tinha vista para o quintal da casa e para uma área verde bem bonita.

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Desfiz minhas malas e fui tomar banho. Ai começou o problema:

-Rodrigo, água em Londres é muito cara, então por isso você só pode tomar um banho por dia. Escolha: de manhã ou a noite.

-Oi?

Fingi que não entendi o Inglês e pedi para ela repetir. Queria ter certeza mesmo se era aquilo que eu tinha ouvido. E era. Mas ainda tinha mais:

-Toda vez que tomar banho você precisa lavar o banheiro. Aqui está a esponja, o esfregão e o sabão. Ah, e também não esqueça de lavar e secar o vidro do box. E não adianta trapacear, se você não fizer eu vou descobrir.

Pera ai, eu vim para Londres para aperfeiçoar meu Inglês ou aperfeiçoar meus afazeres domésticos?

Tomei meu banho (o que seria o único daquele dia!), limpei o banheiro como fui instruído e subi pro meu quarto. Eu estava com fome e até então ela não tinha falado nada de comida. Nisso a irmã dela chegou com o cunhado para a tal comemoração. Ficaram na cozinha bebendo champagne e eu lá em cima pensando: onde eu fui me meter?

A hora passava, as vozes aumentavam a medida que a garrafa de champagne diminuía e meu estômago já estava começando a comer meu fígado, quando decidi descer e dizer que eu ia no mercado comprar algo para comer. Foi ai que ela, aos berros, berrou (claro, né!):

-Ahhhh, tinha esquecido de você! Vou preparar algo para você comer!!!

Dei aquele sorrisinho bem amarelo e subi de novo, esperando pra ver o que viria pela frente. Óbvio que depois disso tudo a comida tinha que ser a pior de todas né? Enquanto a comida não ficava pronta, ela disse pra eu fazer um sanduíche. Enquanto eu comia devorava o misto-quente, Ophelia recebe uma ligação.

-Oi, Mr. White, vem aqui sim, estou te esperando!

Mais visitas! Dessa vez seria o pai dela. Assim que ela desligou o telefone, abriu a despensa e pegou uma garrafa de vodka e deixou sobre a mesa.

-Ele adora!

Que família pinguça, mané!

Mr. White (que não era branco, e sim negro) chegou já bem alegre. Já foi enchendo o copo de vodka e perguntando de mim. O inglês dele era muito difícil de entender, pois Mr. White na verdade era jamaicano e migrou para Londres nos anos 70. Segundo ele, nunca abandonaria as origens e não perderia o sotaque de seu país de origem.  Os jamaicanos tem uma forma bem peculiar de falar Inglês. “I’m playing” vira “Me a play”. Já “What’s going on?” vira “What a gwan?”

Sentiu o drama?

Agora você imagina o cara, jamaicano & bêbado falando Inglês. Tudo que ele falava a filha tinha que me traduzir, por mais esforço que eu fizesse. Curioso sobre sua história de vida, comecei a perguntar sobre o passado dele. Ai que fudeu tudo. O cara se emocionou ao falar da mãe e começou a chorar. De soluçar. Agora você imagina o cara, jamaicano & bêbado & chorando. Bom, eu pedi para aprender Inglês e não para virar perito em “listening & comprehension”, né?

Jantei e fui dormir. Acordei de madrugada preocupado com a volta do HC e da Natasha de Amsterdam. Eles chegaram bem e no dia seguinte iríamos nos encontrar no curso. Apaguei de novo.

[Continua]

Um comentário:

  1. Hahahahahahahhaha Rindo muito! Que familia!
    Tomar um banho por dia??!!! Precisava levar aquelas toalhinhas umedecidas... afff
    Quero saber mais! Conta ae!

    ResponderExcluir

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