domingo, 31 de julho de 2011

Inglaterra : Londres : Harrod’s e onde comer (ou seria “não comer”?)

Antes mesmo de falar sobre “lugares para conhecer”, me deu vontade de falar sobre “lugares para comer”, ou não!

Ultimamente tenho certeza que uma lombriga vive em mim, pois comer tem sido um dos meus maiores prazeres. E, além de me deliciar com excelentes refeições, esperava ser muito bem atendido nos restaurantes de Londres. Não, não espere. A má educação impera e se você receber um sorriso do garçom pode jogar na mega sena pois é seu dia de sorte. Saideira em um bar? JAMAIS. A não ser que você pague, claro.

Pra abrir com chave de ouro nossa estadia em Londres, fomos a loja Harrod’s, a loja de departamento mais luxuosa do mundo. Ouviram? Leram? Do mundo! Já visitei muitas catedrais religiosas pelo mundo, era a hora de visitar a catedral do consumo.

DSC00833 Harrods-vendida-ao-Qatar

A loja foi fundada em 1834 e possui hoje 90.000 m² de espaços de vendas, com funcionários poliglotas. Seu lema é muito famoso: Omnia Omnibus Ubique (Todas as coisas, para todas as pessoas, em todo lugar). Reza a lenda que se você pedir a um dos vendedores um elefante rosa, ele conseguirá um. Foi, num passado recente, a loja preferia do trono inglês, mas os boatos de assassinato da Princesa Diana a mando do Príncipe Charles afastaram os nobres de lá. Sim, a Harrod’s, até ano passado, pertencia ao pai trilhardário do Dodi Al-Fayed, o namorado da princesa, que também morreu no acidente.

Como meu bolso e a Harrod’s não combinam, entramos só para “passear”. A loja é tão grande que, sem brincadeira, existe mapa, igual a qualquer outra atração turística. Vimos as opções de restaurantes e escolhemos o que parecia ser o mais barato prático: The Diner, uma lanchonete ao estilo americano. Depois de nos perdermos lá dentro tentando achar a tal lanchonete, finalmente encontramos. Antes não tivéssemos encontrado.

Tudo começou já na chegada. Entramos, ninguém nos abordou e escolhemos uma mesa por conta própria. Pegamos o cardápio e, decididos do que iríamos comer, chamamos a garçonete. Ela veio com cara de poucos amigos e falou: vocês não podem sentar aí, poderiam trocar de lugar, por favor? Já nos irritamos. Porra, porque ninguém falou isso antes? Tudo bem, trocamos de lugar e fomos fazer o pedido. Estávamos em 3 e vimos um milk shake no cardápio que nos deu água na boca. Decidimos pedir um para provar e dividir. Caso fosse bom, pediríamos outros.

-Vocês vão dividir? – com aquele ar de desdém.

Respirei fundo e continuei meu pedido, que foi um cachorro-quente com batata frita.

Conversa vai, conversa vem, se passou quase meia hora e nada dos nossos lanches. Chamei um outro garçom que passou pela mesa e reclamamos. Falei que iríamos cancelar o pedido, que não era possível um cachorro-quente demorar meia hora pra ficar pronto. Não sei se foi coincidência, mas em menos de 2 minutos nossos pedidos estavam na nossa mesa. Provavelmente cuspidos.

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Depois que você se estressa, qualquer comida por mais deliciosa que esteja, não cai bem. E não foi diferente com aquele cachorro-quente, que custou 15 pounds (quase 40 reais)! Até porque mesmo se tivéssemos sido maravilhosamente bem atendidos, aquele cachorro-quente não teria sido nem de longe o melhor da minha vida. O da barraquinha aqui da esquina de casa dá de mil a zero. Não víamos a hora de sair daquele lugar.

Mal comemos, pedimos a conta! Mais uns 10 minutos para chegar. Óbvio que era de propósito. Estávamos cercados de muçulmanos endinheirados cheios de sacolas da Louis Vitton, Prada, Gucci e cia. Não éramos nem de longe prioridade ali.

Quando a terceira garçonete trouxe a conta, eu disse que iria pagar com cartão. Na hora de assinar o recibo, ela me pediu o passaporte. Eu estava com a caneta na mão e o papel na outra e perguntei, gentilmente: posso assinar primeiro? Ela repetiu que precisava do passaporte. Eu, pensando que ela poderia não ter entendido o que eu falei, repeti: posso assinar primeiro? Ela ignorou novamente e repetiu que precisava do passaporte. Tá de sacanagem né? Eu, puto da vida já, perguntei se ela, por favor, poderia responder minha pergunta. Nisso chega o tal garçom que já havíamos reclamado e se apresenta como gerente. Já levantando o tom de voz, ele diz:

-Eu não admito que você grite com minha funcionária. Eu ouvi pelas câmeras e não admito.

Não sei o que me deu, mas só sei que meu sangue subiu e que baixou um espírito inglês em mim. Eu comecei a discutir com o cara de maneira fluente e disse tudo que já estava entalado na minha garganta, junto com aquele pão duro horrível do cachorro-quente. Que chegamos e fomos ignorados, que as garçonetes não fizeram nenhuma questão de nos tratar bem, pelo contrário e que nosso pedido demorou mais de meia hora. O gerente ameaçou chamar a polícia e eu disse: chama, é isso que eu quero. Eu que não admito como fui tratado aqui. Vocês sabem onde vocês estão trabalhando? Na Harrod’s. Vocês me devem respeito, isso sim.

Levantamos daquela espelunca e fomos embora.

Em um momento destes de raiva, você acaba falando coisas que não costuma falar. Apesar de eu ter certeza que não, eu confirmei com o HC e a Natasha, que me acompanhavam ali, se eu tinha sido grosso com a garçonete. E eles confirmaram: não, eu não fui grosso, só repeti 3 vezes a mesma pergunta porque simplesmente eu estava com a caneta pronto pra assinar o recibo. Pra pegar o passaporte eu teria que abrir a bolsa e tudo mais. Se fosse necessário, tudo bem. Eu só queria uma resposta.

[Continua, e com mais má educação!]

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