quinta-feira, 5 de maio de 2011

África do Sul : Johannesburgo : Vapt-Vupt (Parte II)

O que vem à sua cabeça quando você ouve a palavra Soweto? Até semana passada, eu lembraria em primeiro lugar daquele grupinho de pagode que estourou no Brasil nos anos 90. Até semana passada.

Hoje, para mim, Soweto é a representação máxima do Apartheid na África do Sul e da luta contra esta segregação racial. De forma estupidamente resumida, o Apartheid começou no ano de 1948, restringindo os direitos dos habitantes do país, em sua maioria negros, em prol da minoria branca.

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E Soweto, criado em 1963, é um bairro onde os negros e outras minorias foram obrigados a viver. Onde hoje, já uma cidade, habitam mais de 2 milhões de pessoas.

E era exatamente para lá que eu iria.

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Percorri os principais pontos e as principais ruas de Soweto em uma bicicleta, acompanhado de um guia local.

O que mais me chamou a atenção, foi a Praça Hector Pieterson. Eu não fazia ideia de quem tinha sito este homem. Até que descobri.

E não, ele não conseguiu chegar a ser um homem, pois morreu aos seus 12 anos, ainda uma criança, na manifestação mais famosa do Apartheid: a “16 de Junho”.

O ano era 1976 e cerca de 20 mil de estudantes sairam às ruas de Soweto para protestar contra a adoção do “Afrikaans” nas escolas, uma das 11 línguas oficiais da África do Sul. Foram recebidos a tiros pelos policiais do regime. Os números oficiais dizem que morreram 176 pessoas. Especula-se que foram mais de 600.

No dia seguinte, uma foto rodou o mundo. Um menino ensanguentado, no colo de um homem até então desconhecido buscando auxílio, ao lado de uma menina desesperada por perder seu irmão. Esse menino foi o primeiro a morrer no embate. Esse menino era Hector Pieterson.

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Hoje existe um museu e um monumento em homenagem a este menino e todas as outras crianças que morreramm no dia 16 de junho. A simbologia do lugar é ainda mais emocionante. A água que escorre e cai no chão da praça representa as lágrimas derramadas durante o massacre. E as pedras no chão da praça representam as pedras que os meninos jogavam na polícia, para tentar se defender das balas de revólver. Uma luta covarde.

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Hoje em dia, Soweto é um lugar aparentemente tranquilo. As pessoas aos poucos vão voltando a ver sentido na vida. E as novas crianças que por aquelas ruas correm e brincam, ainda não conhecem a história daquele lugar. Toda vez que eu passava por uma, elas abriam um sorrisão, vinham correndo atrás da minha bicicleta, dando tchau à medida que me viam passando, como se me conhecessem desde pequenininhos. Em todo rosto eu via Hector Pieterson. Mas não o menino ensanguentado. Via o menino sorridente e feliz que ele devia ser.

Soweto hoje sorri.

Soweto para mim representa uma África que se levanta e se ergue a cada dia.

[Continua]

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