domingo, 10 de outubro de 2010

Marrocos : Casablanca!

Se você perdeu o primeiro capítulo, leia!

Nosso vôo saia de Madri com destino a Casablanca. É a mesma Casablanca do filme de Hollywood, de 1942, quando serviu de cenário ao tórrido romance de Hunphey Bogart e Ingrid Bergman durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, curiosamente, nenhuma cena foi gravada em território marroquino.

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A maior parte das cidades turísticas marroquinas curiosamente são definidas por uma cor básica de suas construções: Marrakech é a cidade vermelha, Meknés, a verde;Fez é amarela. Rabat, a cidade branca do litoral atlântico, é a capital do país. E Casablanca? Dããã!

Em Casablanca, as construções também são quase todas brancas. Óbvio, mas poucos sabem que o nome da cidade é realmente literal. A primeira casa construída após o terremoto de 1755 que destruiu a cidade era branca. E foram os mercadores espanhóis que batizaram a cidade.

A primeira impressão no aeroporto é fascinante. Aqueles tetos altíssimos, todos ricamente decorados em seus mínimos detalhes. Lá trocamos nossos euros por Dirhams Marroquinos. Na época a taxa era 1 x 11. Estávamos praticamente RICOS!

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Quando você sai do aeroporto, já se depara com um pequeno caos. Um mar de motoristas com seus carros velhos começam a te gritar: “Bonjour? Hello? Hola?!”

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Depois de uns 15 minutos de negociação, pegamos um dos que eles chamam “grand táxis” que nos levaram até o centro, um pouco distante. Sente o naipe do carro:

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As cidades antigas de Marrocos são baseadas no seguinte trinômio: Medina, Mesquita e Souk.

Medina: “centro da cidade”, protegida por grandes muralhas de pedras.

Mesquita: templo religioso.

Souk: mercado, que normalmente funciona dentro das medinas.

Lá caminhamos um pouco pelas ruas da cidade, ainda fora da medina, a procura de um hostel pra dormir. Achamos um bem baratinho, que, se não me engano, pagamos uns 5 euros cada um. Em Casablanca ficaríamos apenas um dia, no dia seguinte partiríamos para Marrakech.

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Depois de nos acomodar, eu, Livia, Carol e Dietram, um legítimo alemão, fomos conhecer a medina. Provamos alguns quitutes bem gostosos (que obviamente não me lembro o nome), andamos pelas ruelas e depois fomos conhecer a mesquita.

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A Mesquita Hassan II (árabe: مسجد الحسن الثاني) é o mais alto templo do mundo (os lasers emitidos do minarete de 200 m de altura podem ser vistos de vários quilómetros), e o segundo maior, depois da mesquita de Meca. Pode receber até 100.000 fiéis.

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O custo aproximado da mesquita foi de 5494 milhões de dirhams (cerca de 504,85 milhões de euros). A sua localização (junto ao mar) deve-se a Hassan II se ter inspirado no seguinte versículo do Corão: "O trono de Deus encontrava-se sobre a água". Conta com as últimas tecnologias como resistência sísmica, teto que se abre automaticamente, soalho aquecido e portas eléctricas. É das poucas mesquitas do mundo muçulmano que permite a visita a turistas não muçulmanos. A visita pode ser realizada somente fora dos momentos de orações, e está proibida a entrada na Sala de Orações.

Porém, ai começa o problema. Vocês leram bem? Vou repetir: A visita pode ser realizada somente fora dos momentos de orações, e está proibida a entrada na Sala de Orações.

Quando chegamos na porta de entrada para a Sala de Orações, nosso amigo alemão, Dietram, tentou entrar. Ele falava algumas palavras muçulmanas, mas seus olhos azul turquesa e sua pele alva não negavam sua origem. Entrada negada.

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As meninas que estava conosco nem tentaram, pois aquela sala de orações era exclusiva dos homens. Mesmo se elas fossem homens, nem tentariam.

O próximo a tentar seria eu. Máquina escondida embaixo do casaco, cheguei na porta e fui logo tirando meu sapato, regra básica para entrar no espaço. O guardinha acenou positivamente com a cabeça pra mim e eu entrei. Eu acabava de ser confundido com um muçulmano. Algumas pessoas, normalmente brasileiras, falavam que eu tinha traços árabes. Mas um muçulmano legítimo, guardinha de mesquita, me deixar passar foi a constatação: realmente tenho alguma origem árabe. Vai saber.

Os primeiros segundos lá dentro foram de euforia, não é qualquer um que poderia presenciar um momento daqueles. Mas logo depois comecei a suar frio. E se eu for pego? O que vai acontecer? Você, pelo preconceito que infelizmente nos foi “imposto”, logo pensa que os muçulmanos são pessoas ruins e capazes das piores chacinas e atrocidades. Era uma mistura de adrenalina com cagaço mesmo. Não entrava nem alfinete. Medo, muito medo. Me escondi atrás de uma das grandes pilastras de mármore que sustentam o templo. Realmente aquilo lá dentro era lindo. Cada detalhe que você não acredita. Nos trabalhos de construção estiveram envolvidas cerca de 2500 pessoas e 10000 artesãos marroquinos, que trabalharam com mármore, granito, madeira, mosaicos, estuque e outros materiais para elaborar os tetos, pavimentos, colunas, etc.

 

Foi o tempo de eu fazer um vídeo, desligar a câmera e “meter o pé”. Ainda tinha que sair de lá. E meu medo era o guardinha “estranhar” que eu estava saindo depois de menos de 2 minutos lá dentro. A minha sorte é que quanto eu sai, o guardinha já era outro. Ufa.

Saí de lá com ar de vitorioso e depois ainda fiquei conversando com esse outro guardinha. Uma conversa meio monosilábica, pois ele só falava árabe, e arranhava algumas palavras no frânces. Mas deu para perceber que NÃO, muçulmano não é sinônimo de terrorista. O cara era só sorrisos.

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Depois dessa aventura, fomos jantar no Sqala. O Restaurante funciona em um antigo forte, e é todo decorado com tendências mouras. O lugar é requintado e você se sente em um dos contos de Ali Babá, com direito a violinos e tudo. E o melhor: comida deliciosa e incrivelmente BARATA! Comi uma lula grelhada com legumes salteados e depois bebi um chá de menta para ajudar na digestão. Chá em Marrocos é que nem café. A conta da mesa inteira deu 580 dirhams, cerca de 52 euros! Estávamos em 6, o que daria menos de 10 euros para cada um!

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De lá, já tarde da noite, voltamos pro hostel para dormir. No dia seguinte bem cedinho embarcaríamos de trem rumo a Marrakech.

Quando coloquei a cabeça no travesseiro, só deu tempo de lembrar de uma coisa: posso não voltar pra Espanha. Apaguei.

[Continua]

8 comentários:

  1. Ahhhhhhhhhh... mto bom!

    Da próxima quero ir!

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  2. Eu confesso! Morri de medo de poder voltar.. rs Mas foi uma viagem completamente estranha, o choque de cultura foi estranho, as pessoas eram estranhas e a comida... Estranha! rs mas vlaeu a pena... rs E o melhor ainda está por vir... Saara, os camelos, meu quase tombo e o pagode marroquino com uma música estranha... rs
    bjo

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  3. Muito bom ler esses relatos sobre o Marrocos. Mas um motivo pra eu não deixar de ir quando for a Espanha. Ainda bem q tenho passaporte espanhol né? Acho q isso facilitará meu retorno. rs
    Bjus Anne.

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  4. Já fiz essa viagem e rodei Marrocos, mas tanto eu como minha irmã não gostamos muito. No final estávamos desesperadas para voltar a Madrid e ver de novo a civilização.
    Reparou no olhar deles? maligno, muito maligno!!!kkkkkkkkkkkk

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  5. Gostei muito de seu blog! eu estive em Casablanca, mas infelizmente não tinha permissão de entrar... e ver seu video de dentro da mesquita fiquei encantada! COMO É LINDO POR DENTRO!!
    E a loucura do pessoal para vender lá na medina heim.

    abraços!!

    Andressa
    andressa_ch@hotmail.com

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  6. krk maluco soh se metendo em coisas erradas... Po no seu caso, se nao voltasse p Espanha poderia morar ai, ate confundido jah foi...kkk. To gostando do Marrocos.

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  7. meus amigos também tentaram entra numa mesquita, fiquei revoltada...
    mas cagamos e continuamos a nos deliciar com o cheiro "maravilhoso" que vinha de uma tinturaria de couro de camelo...
    hehehehehehe
    conheceu? espero que sim!!!

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  8. Noossaa que mesquita linda!
    Muito sortudo você de ter entrado lá!

    Muito massa seu blog!

    http://uma-tal.blogspot.com/

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