domingo, 4 de julho de 2010

Angola : Luanda : A odisseia de uma Perna Molenga!

Uma noite que começa comigo jogando 2 tempos inteiros de uma partida de futebol NA LINHA não poderia terminar bem.

E tudo começou com um "paulistinha" que levei que me deixou com a perna direita toda dolorida. Mas no calor da partida nem percebi e quando terminou o futebol vim pra casa, ainda quente, sem sentir dores.

Eu já tinha combinado que essa noite eu iria para uma discoteca chamada Mega Bingo. O cara que mora aqui comigo vai com a esposa dele quase todo sábado. E eu quase todo sábado digo: "Hoje eu vou!". A night aqui começa a bombar as 2 da manhã. Eles saem de casa meia noite e meia, mais ou menos. Porra, normalmente onze da noite eu já to morrendo de sono, caindo pelas tabelas. Ai chega na hora eu desisto.

Mas ontem seria diferente. Combinei com o pessoal lá do meu trabalho e uns outros amigos também aqui de Luanda de nos encontrarmos lá. Dai já deixei acertado com a Margareth, esposa do meu companheiro de casa, que sairíamos as 00:30, como de costume. Eram onze e pouquinho eu já estava quase pensando em desistir, pra variar.

"Não, dessa vez eu vou", pensava eu.

Onze e meia "em ponto" a Margareth me manda uma msg pelo msn dizendo: não vamos mais. Antes de eu conseguir perguntar o PQ começo a ouvir  a discussão entre eles. O quarto deles é colado no meu e privacidade para brigar é o que eles não tem. Isso era a melhor desculpa que meu corpo cansado queria.

"Não, dessa vez eu vou", pensava eu.

Liguei pra um dos meus amigos pra ver se ele passava aqui pra me pegar, a dor na coxa estava aumentando.
-Ih, Rodrigo, já estou na cidade, quase chegando. Vem sozinho po.
-Porra, Silvio, mas eu não faço a menor ideia de onde seja essa discoteca. E se eu me perder?
Isso era a melhor desculpa que meu corpo cansado queria.


"Não, dessa vez eu vou", pensava eu.

Levantei a mil pra trocar de roupa antes que o anjinho que mora no meu ombro esquerdo dissesse para eu ficar. Mas o diabinho que mora no meu ombro direito deu um "boa noite cinderela" pro vizinho de ombro. Peguei minhas coisas e fui-me-ei (pra ficar bonito). Entrei no carro, liguei o motor e... cadê que eu sentia a minha perna direita? Porra, como que eu vou dirigindo assim? Com essa perna molenga que não reaje aos meus estímulos? Eu posso acabar sofrendo um acidente!
Isso era a melhor desculpa que meu corpo cansado queria.


"Não, dessa vez eu vou", pensava eu.


Nos primeiros 10 minutos no caminho pra discoteca eu fui com uma das mãos segurando o freio de mão. Eu realmenta estava preocupado, pois o movimento da minha perna direita estava comprometido de verdade. Quando eu tinha que trocar de pedal, do acelerador para o freio, a perna demorava muito a responder e eu podia acabar não conseguindo frear. E o pior: se eu usasse o freio de mão em alta velocidade eu poderia capotar bonito! Dai depois troquei de tática: coloquei a minha mão esquerda embaixo da perna direita e quando era preciso trocar de pedal a minha mão dava uma forcinha, enquanto a mão direita guiava o volante. Mas foi tão tenso que cheguei no lugar, depois de me perder e ficar rodando pelo centro da cidade sozinho com uma perna molenga, cheio de dor de cabeça.

Estacionei o carro, discuti com o flanelinha que já queria levar 10 USD antecipado e finalmente cheguei na famosa BINGO.

Parado de frente pra discoteca me senti naqueles filmes de aventura, quando o mocinho finalmente chega em frente ao castelo do inimigo para o duelo final, depois de ter passado por um vale de mortos vivos, enfrentado a fúria de dragões, combatido sozinho contra 30 guardiões... uma verdadeira odisséia.

"Cheguei. Agora nada pode me deter."

A boate realmente é muito bonita, não deixa nada a desejar a qualquer outra boate que eu tenha ido. Se tivessem te levado para aquele lugar sem você saber onde era, o seu último palpite seria dizer que estava em Luanda.

Mas lembram da parte do "agora nada pode me deter?". Pois é, a minha perna direita realmente queria me deter. Depois da tensão do carro ela piorou e eu parecia um aleijado. Comecei a dançar e estava me sentindo ridículo. A minha perna dirieta definitivamente não respondia aos meus comandos. E quando respondia demorava, o que me fazia dançar totalmente fora do ritmo e desengonçado.

Porra, isso deve ter sido praga da minha tia. Eu sempre imitava o Roberto Carlos andando meio manco, pela falta de uma perna, e ela ficava puta. Ou foi praga da minha empregada, que odiava quando eu zoava o Wagner Montes, outro perneta.

Mas depois de umas 3 doses de vodka com rebull minha perna foi começando a entrar no clima e passou a cooperar comigo e a noite realmente começou pra mim.

Ah, e sabe quem apareceu lá depois? O casal. Aquele mesmo que brigou e que me deixou na mão e me fez passar por tudo isso. Mas tudo bem, foi legal eles terem ido. É sempre divertido estar com eles.

Um comentário:

  1. Larga de manha Rodrigo, estava lá rodopiando no salão... nem olhava para a perna...(brincadeira)... se tivesse falado da situação da perna a gente voltava lá no Nova Vida.. não tinha problema... naquele horário era um pulo..

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