domingo, 18 de abril de 2010

Digo a Bordo!

Inspirado pelo blog do meu amigo HC, que inclusive está vindo se aventurar por terras africanas também, resolvi criar um mapa indicativo dos lugares por onde eu já passei.
No mapa, os coloridos de marrom são os países onde já estive. Os amarelos são onde eu pretendo visitar até o próximo ano. Como vocês sabem, meu objetivo é rodar o mundo. Será que eu consigo?



Quem não tiver em dia com os estudos de geografia e quiser ver a lista detalhada de todos os países e cidades por onde passei é só clicar aqui. Nessa lista ainda não tem Angola!

Hoje é só, gente.

Bjos

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Angola : Luanda : Emozão

Às vezes nos deparamos em algumas encruzilhadas onde devemos optar: devo seguir a direita, devo seguir a esquerda?

Hoje estou filosófico e eis que me surge um embate.

Existem algumas coisas que o homem acha que são diferentes e não conseguiriam conviver juntas.

Ciência e Religião.
Capitalismo e Comunismo.
Estados Unidos e Iraque.

E Emoção e Razão.

Em um primeiro momento a distância entre as duas se configura em um abismo. Até mesmo a Arte acaba por colocá-las em prateleiras opostas. Não sou um grande entendedor do assunto, mas sou um grande admirador e posso perceber que cada período artístico é baseado em um destes conceitos: Emoção ou Razão. Ora um, ora otro.

Posso-te dizer que sou movido muito mais pela emoção. Poucas foram as atitudes que tomei até hoje em minha vida guiado pela Razão. Quer saber uma delas? Minha vinda para a Angola.

Abri mão da amizade e do amor que tenho no Brasil, por um trocado de dólares no bolso.

Mas pensando bem, acho que no fundo minha vinda para a Angola pode ser também encaixada na lacuna da Emoção.

"Ham? Mas você acabou de dizer o contrário."

É, mas a busca por novos desafios, pelo desconhecido e pela vivência em uma nova cultura é ou não é uma decisão baseada na Emoção?

Com isso acabo chegando em uma conclusão em que todos os extremistas deveriam chegar: não adianta nos agarrarmos em um dos pilares e não arredar o pé dali. Temos que ter sabedoria e discernimento para conciliar estes dois conceitos que parecem diametralmente opostos.

Por vezes uma decisão totalmente racional poderia nos fazer deixar de viver uma experiência EMOCIONALMENTE excepcional.

Por outras uma decisão totalmente emocional poderia nos fazer viver uma experiência RACIONALMENTE deplorável.

A resposta está em encontrar o meio-termo: a Emozão.

Assim, quando chegarmos a uma encruzilhada, teremos mais chances de acertar o caminho.

Às vezes virando a esquerda.
Às vezes virando a direita.
Às vezes seguindo em frente.
Às vezes dando um passo atrás.

sábado, 10 de abril de 2010

Angola : Luanda : Preso no estrangeiro

É, hoje definitivamente foi um dia de grandes emoções....

Comecei meu sabadão indo trabalhar. Estou preparando o lançamento de um empreendimento imobiliário no Bairro da Cuca. Você conhece o inferno? Eu conheço!

Aquilo lá é pior do que Saara em véspera de Natal. Simplesmente a maioria dos depósitos de Luanda ficam naquela região. Portanto imaginem... só imaginem.

O nome do bairro vem da cervejaria Cuca, uma das cervejas locais mais apreciadas. A fábrica fica lá. Tomei uma outro dia e senti que ela é mais forte e mais amarelada. Resumindo: parece mijo. Não que eu já tenha bebido mijo um dia, mas.....



O trânsito lá é simplesmente horroroso. Para vocês terem uma pequena noção, eu fiquei simplesmente PARADO na esquina do prédio onde eu ia por quase meia hora. Eu só tinha que virar a esquerda. Mas cruzar a outra faixa da pista se tornou quase que um desafio do "Agora ou Nunca".

Dá uma olhada na belezinha que é esse lugar.



Mas o dia só estava começando.

Bom, finalmente consegui chegar no destino e depois de terminada a reunião era hora de retornar pra casa. Ai que o problema realmente começou.

Depois de alguns bons momentos no trânsito, no centro da cidade, já fora do bairro da Cuca, eis que um guardinha aponta pra mim e pede pra eu encostar. Pronto, fudeu!

Teoricamente eu não posso dirigir aqui em Luanda. A carteira de Habilitação brasileira é válida por 30 dias fora do território nacional. E eu já estou aqui a uns 33...

"Sr., bom dia. Documento do carro e habilitação."

"Tudo aqui, sr."

"Ok, mas...."

Até então o guardinha nem se tocou que eu não podia dirigir. Mas ele já tinha seu objetivo traçado. E foi com tudo.

"... o seu veículo não está com o selo afixado no vidro."

Eu ri, mas realmente não estava.

É impressionante. Se eles te pararem não adianta. Eles vão dar um jeito de achar pelo em ovo e ganhar uma grana em cima de você.

"É, meu jovem, vou ter que te multar."

"Ok, multa."

"Mas vou te multar mesmo!!!!"

"Ok, multa."

"Queres mesmo ser multado? Vamos resolver isso de outro jeito, rapaz!"

E assim  foi. Tive minha estréia angolana na famosa "gasosa". Propina para os bons brasileiros.

"Tá liberado Sr. Volte sempre!"

Tá de sacanagem, né? O guarda me manda um "volte sempre!"? Só faltou mandar o "obrigado pela preferência".

Bom, relaxa rodrigo. Vamos pra casa.

2 minutos depois, em frente a um controle policial:

"Encosta!"

Ah não.... é hoje!!!!

Outro guarda, mesma armadilha:

"Sr., e o selo?"

"É.... ham.... então..."

"Estaciona o carro e me acompanhe."

Cara, entrei no posto da polícia e o cara mandou eu entrar numa saletinha de menos de 2x2m. Lá dentro tinha mais uns 5 policiais. Eu fiquei literalmente com o cú na mão.

"Vou perder meu selo por um maldito selo!"

Eles falavam de um modo que eu não entendia uma palavra sequer. Das duas uma: ou eles estavam falando em algum dialeto local ou meu medo me fazia ouvir russo.

Fiquei lá não mais que uns 5 minutos. Mas foram os 5 minutos mais longos da minha vida. Sabe aquela história de passar um filme na sua cabeça? Passou tudo... em cores, widescreen e em sistema digital!
Cara, eu já me imaginava dando depoimento pro National Geographic. Tem um programa deles que eu me amarro: Presos no estrangeiro. Cada semana eles contam a história de uma pessoa que ficou presa no estrangeiro por anos, ou por tentativa de tráfico de drogas, ou por engano, ou seja lá por qual motivo.
Eu já imaginava a chamada do episódio: Jovem brasileiro preso na Angola: o selo da morte.

Bom, mas como vocês já imaginam o final da história.... GASOSA!
Pronto, resolvi a situação mais rápido que imaginava.

É, minha gente, no Brasil sou contra isso. E deve ter gente pensando ai: "ah, eu ficava lá, deixava multar, mas não dava dinheiro". Quero ver pensar assim quando se está tão longe de casa.

Bom... chega né? Claro que não! Eu falei que hoje o dia ia ser emocionante!

Cheguei do futebol, após duas boladas no saco que me levaram até a lua, e o cabeleireiro da esposa de um dos meus companheiros de casa estava aqui, fazendo o cabelo da moça na varanda. Dai ele disse:

"Não quer cortar o cabelo?"

É, realmente eu já tava precisando cortar o cabelo. Que mal tem?

"Bora!"

Sentei na cadeira e logo os meus 2 companheiros de casa e a esposa me rodearam e ficaram olhando. Eu sentia nos olhos deles o orgulho que sentiam de mim. Deviam estar pensando: "Que cara corajoso".

"É.... vc não tem capa pra não me sujar?"

"Pois é... não vim prevenido... mas depois vc toma banho!"

Depois de uns 5 minutos de procura pela tesoura, ela apareceu! E o carinha veio logo pra dar a primeira tesourada e eu disse...

"É... não seria melhor molhar o cabelo antes?"

"É, melhor né?"

O cara não sabia o que fazer e nem por onde começar. Ficou por um bom tempo me rodeando, olhando, indo de um lado pro outro com a tesoura na mão. Parecia que tava dançando a dança do siri.

Comecei a perceber o porque do orgulho dos meus amigos. Cara, só sei que na primeira tesourada ouvi aquele rugir caracterísitco de tesoura que não tá afiada. E poucas tesouradas  depois meus amigos começaram a me abandonar, um a um. Tive a nítida sensação que não queriam estar ali pra ver aquilo....

Eu conseguia sentir o tremor da mão do cara. A habilidade dele com a tesoura chegava a ser inferior a minha habilidade no futebol.

Meu desespero começou a aumentar. E nem espelho eu tinha pra pelo menos ver o que tava acontecendo. Buscava um reflexo no vidro do meu carro que tava ali estacionado, mas não era suficiente. Os cabelos iam caindo no meu colo, iam grudando no suor. A minha vontade foi mandar o cara parar e pronto, deixar do jeito que tava.

Mas é isso, sou um cara corajoso e resolvi ir até o final.

"Pronto. Acabou."

"Ah, beleza. Vou lá dentro ver como ficou."

Me olhei no espelho e falei pra galera: "viu, de todo não ficou tão ruim. Agora é tomar um banho pra tirar essa cabeleira de cima de mim."

Os três se entreolharam. Mudos.

"Que que houve gente?"

"É... então, acabou a água. Pedimos um carro pipa mas só deve chegar daqui a umas 2, 3 horas..."



É, agora to aqui, todo cheio de cabelo esperando um carro pipa.

Mas é bom. Só assim pra gente ter história pra contar.



Bjos!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Angola : Luanda : Saúde

Ontem fiz 1 mês em Luanda e ganhei um presente: uma até então suspeita de paludismo.

O que é paludismo?

Consultemos a wikipedia:
"A malária ou paludismo é uma doença infecciosa aguda ou crônica causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada do mosquito Anopheles.... É uma das doenças mais importantes para a humanidade, devido ao seu impacto e custos, e constitui um fardo extremamente pesado para as populações dos países atingidos, principalmente em África, incomparável aos custos sociais de qualquer doença ocidental."



Só sei que ontem senti quase todos os sintomas preliminares da doença: dor de cabeça, tontura, dores musculares...
Como a parada aqui é À VERA, sai do trabalho e fui direto para uma clínica particular para me consultar e fazer o exame da gota espessa, exame que identifica a presença ou não da doença no sangue.

Cheguei na clínica por volta das 19:30 e sai de lá umas 22:30... SEM PALUDISMO, e com menos 108 dólares na carteira, entre consulta e exames.

A princípio o que eu tenho deve ser uma gripe. Sábado passado joguei bola na chuva durante quase 1 hora. Ai já viu né. Hoje comprei uns remédios antigripais e já estou tomando! Menos 90 dólares!



Mas fiquem tranquilos que eu estou monitorando meu quadro clínico e a qualquer alteração ou piora, voltarei ao médico. Hoje fiquei de home office mas amanhã se Deus quiser to novinho em folha para voltar ao trabalho.

Bom, após os exames que eu fiz na clínica e uma auto-avaliação, cheguei a um diagnóstico.

Escrevi no meu prontuário:

"Tô com sintomas de saudade, to pensando em você..."

Bjos em todos!

sábado, 3 de abril de 2010

Angola : Luanda : Barra do Kwanza

Continuando minha busca incessante por animais selvagens, fiz um passeio hoje bem interessante: Barra do Kwanza, a 70km de Luanda.

Pegamos a estrada rumo ao Sul.

Toda a viagem é feita na costa do mar, com vistas e paisagens belíssimas. Aos poucos você se esquece que está na África. Sai-se de Luanda, com todo seu lixo e poeira de obras, e adentra-se numa Angola até então desconhecida. Estou na África? Ou na Bahia?





A primeira parada foi no Miradouro da Lua. A semelhança com a superfície lunar é que deu nome a este lugar. A natureza levou milênios para esculpir essa maravilha. E a cada visita encontra-se uma nova paisagem, pois as falésias transformam-se a cada sopro.





Seguimos viagem rumo ao nosso destino. Uma estrada que parece infinita nos desvenda segredos até então bem assegurados.

O Rio Kwanza, além de dar nome a moeda angola, é o principal e maior rio do país, com mais de 1000km de extensão. Ele nasce na província de Blé e desagua no mar, em Luanda. E é pra lá que nós vamos.

Após 1 hora e meia de viagem, chegamos ao nosso destino. Nossa base é o Kwanza Lodge, uma espécie de resort, com bangalôs para se passar fins de semana (350 USD), e um restaurante para os que querem desfrutar de algumas horas de relaxamento.





Dali partimos para um passeio de lancha pelo Rio, onde recorremos suas margens e acompanhamos seu traçado.



A cada curva uma nova paisagem surgia, uma cada vez mais bonita e suupreendente que a outra. Vocês já viram um mar de palmeiras a margem de um rio? Pois eu vi!



É comum aparecerem jacarés pelo caminho. E confesso que eu estava torcendo pra isso. Mas como não estou com muita sorte pra ficar face a face com os bichanos selvagens, o máximo que vi foram algumas aves de rapina, que acredito que sejam gaviões.



De volta a nossa base, e com 25 dólares a menos (a lancha para 4 pessoas sai a 100 dólares), almoçamos e descansamos a margem do Rio.



Um rio que fornece energia para a capital do país, com sua hidrelétrica.

Um rio que alimenta muita gente.

















Um rio que é a casa de muita gente.




















Um rio que me fez conhecer uma Angola que dá gosto.



Ah, esse desfecho ficou bonito né?
Pois é, mas não poderia deixar de registrar aqui uma cena HILÁRIA que vi na volta do passeio.
Realmente os bichos selvagens estão fugindo de mim, mas os outros estão fazendo questão de aparecer.
Até pose pra foto a cabritinha fez.



Bjos e Feliz Páscoa a todos!

Digo a Bordo!

"Ao retornar de uma viagem, não sei se o mundo diminuiu ou eu é que cresci."

Quer sugerir um destino? Tirar Dúvidas? Ou somente elogiar mesmo?
Escreva para rodrigofranco@digoabordo.com
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