sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Brasil : Rio de Janeiro : Voando de Asa Delta!

Galera, não vou perder muito tempo de blablabla hoje. A parada é simples: VOEM DE ASA DELTA!

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Curtam o vídeo com os melhores momentos!

Se animaram pra voar? Esse é O CARA:

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Chico (Instrutor de Voo) :

21.7813.8821 / chico@goup.com.br

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Brasil : Rio de Janeiro : Seja bem-vindo e ganhe uma multa!

Fui dormir as 5 e meia da manhã e acordei as 9 e meia, com minha tia chegando aqui em casa. Achei melhor mesmo levantar para poder já me habituar com o novo fuso! Fiquei em casa desarrumando as malas e curtindo um pouco a família. Logo depois do almoço resolvi ir na academia para me matricular.

-Caralho, que sol é esse? Que que eu tô fazendo em casa?

Voltei rapidamente, meti minha sunga, fiz uns contatos e FUI! Na metade do caminho pra praia, uma blitz. Po, não tenho cara de ladrão, não vão me parar!

-Encosta!

Lei de Murphy, mas vamos lá. É só entregar o documento do carro e a habilitação. Pronto.

-Documento do carro e habilitação.

-Tá aqui o documento. Vou pegar a habilitação na minha carteira. Ué, a carteira tinha que estar aqui…

-Sr., cadê a vistoria 2010?

-Não está ai?

Já peguei meu cel e liguei pro meu pai. Descobri que realmente a vistoria de 2010 não tinha sido feita. Enquanto falava, descobri também que sai com tanta pressa que esqueci a habilitação. Fudeire, chefe!

-Amigo, to sem a habilitação aqui. E a vistoria 2010 não foi feita mesmo. Mas é que cheguei hoje de Angola e não sabia. E a carteira esqueci em casa mesmo. Você sabe…

-Seja bem-vindo, mas vou ter que te multar e rebocar seu carro!

Convenci o policial de esperar meia hora. Nem mais um minuto, ele disse. Na hora pensei: será que esse policial vai querer me prender também? Já basta ter sido preso no estrangeiro!

Meu pai foi lá “negociar” com os policiais e levar o outro carro que estava ok.  Droga, estava perdendo aquele sol.

Beleza, depois de uma meia hora me liberei e segui meu caminho. O sol escaldante!

Cheguei na praia e, assim que coloquei o pé na areia, uma nuvem gigante resolveu ficar bem na frente do Sol. Tinha tanto lugar no céu pra ela ficar, porra! Ainda pensei que o Sol ainda ia conseguir se mostrar pra mim, mas nada.

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Sério, não deu 15 minutos e senti um pingo.

- Por favor, alguém cuspiu em mim né?

Não, era chuva mesmo. Não demorou mais 15 minutos e desabou um toró “daqueles”.

Existe melhor maneira de ser recebido? Quanta hospitalidade!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Angola : Luanda : Como chegar em casa morto!

O ba-fa-fá e o disse-me-disse estava rolando solto no saguão de embarque:

-Ih, não sai hoje não.

-Sai sim, mas sai lá pelas 2 da madrugada!

-Olha, ouvi dizer que a TAAG fretou um avião da Euro Atlantic para fazer esse voo!

E eis que um avião exatamente da Euro Atlantic Airways aparece no pátio, reinando absoluto na pista do aeroporto. As pessoas começaram a festejar, bater palmas! Viu, não disse?? Aquele avião seria a nossa salvação!

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O tempo passou, aquela excitação diminuiu e nada de embarque. Começaram novos boatos:

-Parece que a TAAG ainda não pagou a empresa.

-Não, estão com problemas de manutenção!

Eu já não aguentava mais. Eram 19h, eu já estava a 12 horas naquele aeroporto!

Só que, de repente, começa uma movimentação. Várias pessoas se levantando, pegando suas malas. Fiquei atento. E veio, de novo, a voz sedutora eletrônica, dessa vez com uma boa notícia:

-Senhores Passageiros do Voo TAAG DT 741, favor dirigirem-se ao Portão 3, para embarque imediato.

ALELUIA!

A verdade é que o embarque não foi imediato. Ainda esperei mais quase 2 horas até entrar no bendito avião! Arrumei minhas malas de mão no bagageiro e sentei. Não necessariamente minha ida estava garantida. No voo do dia anterior simplesmente sobraram 6 pessoas em pé dentro do avião. E elas tiveram que sair da aeronave. Imagina? Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira.

Mas graças a Deus não aconteceu isso. Teve lugar pra todo mundo! Certinho, não sobrou nenhum banquinho se quer, mas teve! E, o que é ainda melhor, o avião foi fretado com a tripulação inclusa: ou seja, não precisei aturar as dinossárias da TAAG.

Quando o avião começou a taxiar, mais uma salva de palmas do povo. Dessa vez até eu entrei no clima! Com o tempo, aquele frenesi foi diminuindo e eu me perguntei: Mas que empresa é essa? Nunca tinha ouvido falar nessa tal de Euro Atlantic. Rodrigo, dane-se. Não é hora pra isso.

Finalmente, as 21:30, ouço do piloto: “Tripulação, preparar para descolagem!”

O voo acabou sendo “tranquilo”. Eu estava morto mas não consegui relaxar. Queria chegar logo, obviamente.

E, depois de 23 horas de espera, 10 horas de atraso, 8 horas de voo e 3 horas de fuso, finalmente CHEGUEI!

[E esse post “continuou”, conforme prometido, do meu querido Rio de Janeiro!]

Angola : Luanda : Como passar um dia inteiro no aeroporto!

E o tão esperado dia de voltar pro Brasil para mais um período de férias chegou.

Final de ano aqui em Luanda é um caos para ir pro Brasil, principalmente pra quem se aventura a ir de TAAG. Além da falta de preparo da empresa para lidar com momentos de maior demanda, rola um “terrorismo”. Dizem que a própria TAAG põe lenha na fogueira. Para que? Existem várias respostas e na verdade acho que acaba sendo um pouco de todas elas. É fato que o aeroporto vira praticamente um pregão da Bolsa de Valores, onde volta e meia rola uma disputa de “quem paga mais para viajar!”. Simplesmente quem não tem reserva acaba querendo “comprar” os funcionários da TAAG. E diz a lenda que conseguem, facilmente! Por isso que muitos voos ficam com overbooking e o aeroporto fica parecendo com a Central do Brasil, as 6 da tarde, no Rio. Outro motivo é o fato de, com a incerteza de não conseguir embarcar, alguns passageiros preferirem trocar o bilhete de Econômica para Executiva ou Primeira Classe. As chances de voar aumentam consideravelmente e a conta bancária da TAAG agradece!

Ontem passei o dia no celular tentando confirmar a saída do meu voo. O desencontro de informações reina.

-Sr., seu voo foi cancelado.

-Sr., seu voo foi adiado para as 15h.

-Sr., não temos no nosso sistema nenhuma informação.

Na dúvida, preferi vir pro aeroporto no horário original e “seja o que Deus quiser”.

Cheguei as 7 da manhã e tão logo entrei no saguão, ouvi da voz eletrônica feminina que tenta seduzir a gente quando dá notícias ruins:

-Passageiros do Voo TAAG DT650, este voo está atrasado. Está atrasado em… em… 24 horas!

Senti o embargo na voz da mulher. Ela quando leu deve ter pensado: isso é não atrasar, isso é adiar!

Meu corpo retesou, mas, por sorte, este voo não é o meu. Este vai  para Lisboa (e será que vai mesmo?).

Encontrei com o despachante que “ajuda” ($$$) a minha empresa aqui no aeroporto e passei a missão adiante. Pelo menos tive a mordomia dele fazer meu check-in. Fiquei sentado no carrinho de bagagem e vi de tudo: criança chorando, cachorro latindo, chinês fedendo, brasileiro reclamando e angolano se divertindo.

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Check-in feito, confirmei o novo horário do voo. De 11:30, foi alterado para as 19:15. Isso já eram quase 14h! E agora? Fico aqui ou volto pra casa? Como diz o outro: está no inferno, abraça o capeta! Resolvi esperar aqui mesmo. Até porque vai que eles resolvem antecipar o voo? Não, perder o voo não é uma hipótese!

Agora são 17:30 e já tomei café da manhã, já li um livro inteiro, já fiz amizades de 5 minutos, já fiz inimigos pra uma vida toda, já almocei, já falei sozinho, já cochilei, já trabalhei… e agora estou olhando pela janela da sala de embarque e nem sinal de avião no pátio.

Mas não importa, se eu conseguir embarcar hoje, seja lá qual for o horário, estou feliz.

[Continua, mas não sei quando, nem como!]

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Angola : Luanda : TAAG, um esporte radical!

A 5 dias de ir para o Rio de TAAG, me deparo com a seguinte notícia:

"Um Boeing 777 com 125 passageiros a bordo aterrou hoje de emergência no Aeroporto de Lisboa, pouco depois de ter descolado, devido a uma avaria técnica. Durante a manhã de hoje, várias pequenas peças de um avião caíram em quatro pontos de Almada, provocando danos materiais".

Resolvi pesquisar mais sobre a TAAG, a empresa área angolana. Já sabia que ela tinha sido proibida de voar na Europa e que reconquistou este direito há pouco tempo. Descobri também que o canal português SIC fez um documentário há uns 2 ou 3 anos sobre "as aventuras de se voar em África", dando bastante ênfase a nossa querida TAAG e os muitos problemas enfrentados em voos. Busquei por todo o Youtube mas não encontrei NADA. Não sei se isso é bom ou ruim.



Confesso que essa não era a melhor notícia para se ler essa semana! Espero que minha mãe não veja meu blog! hehe!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Espanha : La Coruña : E o Frango continua a saltar!

Sinceramente esse foi o subemprego que qualquer um pediu a Deus. Um excelente salário, diversão durante o trabalho, guloseimas a vontade, novos amigos… e o melhor: passei a entender e falar melhor o Espanhol. Vai se comunicar com uma criança de 2 anos, em espanhol!! Treinei meu ouvido, cara!

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Eu, amigas e as Guloseimas, mais conhecidas em Espanha como Las Chuches!

Não satisfeito, ainda tem mais: acabei viajando por alguns lugares da Espanha por conta da Casa de Festas. Não só da Espanha, fui até algumas cidades de Portugal. E o melhor: ganhando por isso!

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Em La Guardia, fronteira com Portugal, a “trabalho”!

Nas festas que fiz, algumas crianças marcaram! Teve uma menininha, a Rocío, que acabou se apaixonado por mim. Ela tinha uns 8 anos e quase toda semana ia em uma festa comigo. No dia que eu falei pra ela que eu ia embora pro Brasil, ela chorou, foi no jardim e trouxe uma florzinha pra mim. Acreditam?

A última festa que eu fiz foi do Dani, um mulequinho gente boa que de tanto ir nas festinhas já me chamava pelo nome! Saudades daquelas crianças…

DSC03556A última festa! Olha a cara de danado do Dani!

-Tá, mas tem que ter a parte ruim!

Sim, óbvio que como qualquer trabalho, tinha a parte ruim: aturar as crianças desobedientes,  fazer papel de babaca quando dançava a dancinha do Frango, balançando a busanfa pra lá e pra cá, levar as crianças ao banheiro para fazer “popô”, limpar o nariz das catarrentas, calçar e descalçar o sapato das chulezentas… E quando as crianças eram um pouco mais velhas, elas ainda me davam esporro:

-Não é assim que fala, tio. Hummmm, não sabe nada. Aiiii, que burro. De onde você é?

No início eu ficava puto e confesso que as vezes aprontava alguma maldade com as criancinhas. Descontava a raiva empurrando elas no pula-pula, pois eu sabia que não ia doer tanto! Mas depois acabei me aproveitando da situação de “falar estranho”. Uma das brincadeiras que eu fazia com a mulecada era para descobrirem de onde eu era! Elas se amarravam! Tinham umas crianças sem noção que diziam: China! Porra, ai não né!

Depois de descobrirem que eu era do Brasil, fazia a segunda brincadeira: eu falava uma palavra em português e elas tinham que descobrir o que era! Eram sempre as mesmas brincadeiras. E o pior: eram quase sempre as mesmas crianças! Teve um dia que uma delas disse:

-Tio, você já fez essa brincadeira comigo!

Tive que jogar ela no pula-pula.

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Depois de tudo isso, alguém ainda tem coragem de dizer que eu tirei férias por 6 meses na Europa?

[Fim]

Espanha : La Coruña : Mas que vida boa!

Capítulo I – Mas que vida boa?!

Capítulo II – Cadelinha de Madame!

Capítulo III – O Frango Saltitante!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Espanha : La Coruña : O Frango Saltitante!

A vida de garçom estava muito cansativa. Eu saía da cafeteteria depois da meia noite! Detalhe: estudava de 8 da manhã as 20h da noite. Saía da faculdade direto pro trabalho e, no fim do expediente, não tinha mais ônibus pra voltar pra casa. Tinha que enfrentar 40 minutos de caminhada até em casa, no frio. Tudo isso para ganhar 10 euros por dia! E tudo piorava quando era meu Dia de Amélia.

-Dia de Amélia?

Miniflashback: Dia da Amélia

Morávamos sete pessoas em uma casa com três quartos e meio (um dos “quartos” era uma continuação do quarto principal!). Precisávamos nos organizar para manter a organização da casa: estabelecemos o Dia da Amélia. A limpeza diária das áreas comuns foi dividida em duplas. Dos 7 dias da semana, pelo menos 2 eram Dias da Amélia para cada morador. Tínhamos que ariar panela, lavar a pia (que era nojenta por sinal), varrer a casa, limpar o banheiro, esfregar a banheira… E chegando em casa quase 1 da manhã (ou mais!), tinha que fazer isso antes de dormir! E no dia seguinte, as 6 da manhã estaria de pé!

Procurei no jornal outras oportunidades, até que achei um classificado:

Procura-se jovens para se trabalhar com animação de festas.

Caraca, liguei na hora! A dona da Casa de Festas atendeu e disse que teria um prazer em me receber.

-Então, mas na verdade, não vou sozinho. Tenho um grupo de mais 6 brasileiros que querem ir, pode ser?

-Ótimo, podem vir todos para o treinamento!

Terceiro Emprego: Casa de Festas Fantasía Animación

DSC03565 Chegamos no dia seguinte e fomos recebido pela Lorena, uma espanhola de seus 20 e poucos anos. Ela era uma espécie de líder dos animadores! Distribui umas apostilas e começou a “dar a aula” teórica. Nós começamos a nos entreolhar, meio que achando aquilo bem engraçado. Uma aula de animação?? Com apostila e tudo?? Os tópicos eram ainda mais engraçados:

Tópico 1 – Como Fazer uma Criança Sorrir!

Tópico 2  - Um olho na Festa, dois olhos nas Crianças!

Tópico 3 – Músicas e Coreografias!

E assim foi indo!

Até que começou a hora MAIS DIVERTIDA: a aula prática!

Não sei o que me deu naquele dia, mas eu parecia realmente uma criança. Me empolguei muito nas brincadeiras, perdi toda a timidez que eu sempre tive. Parecia que eu tinha engolido um palhaço!

A hora mais engraçada e marcante foi quando a Lorena nos ensinou uma dancinha:

El baile del Pollo (A dança do Frango, em Espanhol!)

Eu incorporei um verdadeiro Frango, saltando e balançando a “colita”! Fiz meus amigos mijarem de tanto rir!!!!! Aquele dia ficou na história, tenho certeza que eles nunca vão esquecer! Muito menos eu!

Dá uma olhada no estilo da musiquinha e me imagine dançando isso:

Depois deste dia, não restou dúvida: no dia seguinte já me ligaram chamando para participar  de uma festa! Tinha finalmente conseguido um novo emprego, que pagava bem!

Mas eu ainda precisava “pedir demissão” da Cafeteria, e isso não foi tão fácil quanto parecia!

[Continua]

Espanha : La Coruña : Mas que vida boa!

Capítulo I – Mas que vida boa?!

Capítulo II – Cadelinha de Madame!

domingo, 28 de novembro de 2010

Espanha : La Coruña : Cadelinha de Madame!

A vida de panfletista não estava rendendo uma boa grana. Resolvi partir para ser garçom. (Se você perdeu o primeiro capítulo, leia aqui).

O plano era: imprimir uns 50 currículos e sair pela Ronda Outeiro inteira distribuindo em todos os bares, cafés e restaurantes. A Ronda Outeiro é uma grande avenida de La Coruña, que corta praticamente toda a cidade.

Primeiro obstáculo: o currículo. Nunca tinha trabalhado como garçom na vida. Meu currículo não era lá adequado a esse tipo de trabalho, né. E então? Menti, ué. Coloquei no currículo que já tinha trabalhado como serviços gerais, cozinheiro e garçom em restaurante brasileiro.

Então “bajei” toda a Ronda Outeiro. Um a um eu entreguei o currículo. A maioria já dizia que não estava precisando de ninguém. Será que eu teria que continuar distribuindo panfleto?

Fiquei meio desanimado e voltei pra casa. Mas até que meu celular toca.

-Hola, Rodrigo? Éres el tío que quieres trabajar?

-Sí, soy yo!

-Puedes venir acá mañana ya para empezar?

-Vale!

Caraca, o cara já queria que eu começasse no dia seguinte! Fiz um mini-curso básico de Café com minha amiga Port, que já estava trabalhando em uma Cafeteria, e seja o que Deus quiser!

No dia seguinte estava lá: de calça social preta, sapato e blusa social branca. Só faltou a borboletinha. Olha que ironia do destino: quando eu fiz minha mala para a Espanha, resolvi levar essa roupa social. Imaginei: certamente vou acabar sendo convidado para alguma festa bacana e tal. HA HA.

Segundo Emprego: Garçom de Cafeteria Espanhola

A Cafeteria Aderezzo é um típico café espanhol. O dono era um gordinho, baixinho, com cara de boa praça. Parecia o “baixinho da Kaiser”. A garçonete/gerente era uma espanhola de seus 40 anos, com cara de mau amada. Acho que eles tinham um caso. Mas enfim…

Chegou o momento mais esperado e temido: A BANDEJA. Quando eu era criança, sempre gostava de brincar de garçom. No fundo eu sabia que aquilo algum dia ia me servir pra alguma coisa. E até que eu não mandei muito mal. Obvio que em algumas vezes a bandeja dava aquela cambaleada e eu tinha que ajudar com a outra mão. Só uma vez que, sem querer, deixei cair da bandeja… Mas nunca deixei nada cair.

Todo dia quase as mesmas pessoas iam lá para tomar sempre as mesmas coisas: um expresso, um cortado, um solo doble, um café con hielo…

-O que? Meu Espanhol é ruim, mas você disse Café com Gelo???

-É isso mesmo, é uma tradição na Espanha beber café com gelo, principalmente no verão. Vai saber…

Chegavam, pediam sua bebida (que muitas vezes nem bebiam!!!), pagavam e iam embora.

A garçonete, sempre quando alguém entrava na cafeteria, me passava a ficha da pessoa:

-Esse é o Javier, sempre vem as 17:15 e bebe un cortado.

Impressionante, as pessoas nem se davam ao trabalho de fazer o pedido. Eu fazia o café e levava na mesa. A pessoa só agradecia.

Até que, um belo dia, chegou uma senhora com sua cadelinha.

-Essa é a Belén, sempre vem as 18:45. Ela bebe uma Coca-cola, com gelo e limão. A sua cadelinha bebe Água Perrier, natural.

-Oi? Tenho que servir a cadelinha?

-Mas é claro. A cambuquinha da Fifi é essa aqui. Vai logo, elas não gostam de esperar.

-Fifi? Vale!

E assim eu ia, todo dia, servindo o cortado do Javier, a Coca-Cola da Belén e a água da Fifi.

Mas não por muito tempo.

[Continua]

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Espanha : La Coruña : Mas que vida boa!

Morei 6 meses na Espanha. Quando eu digo isso todo mundo fala: “que vida boa!!!”.

Querem ver a vida boa?

Distribuí panfleto num frio da porra, servi água Perrier para cachorrinho de madame e balancei a busanfa para criancinhas catarrentas. Isso é vida boa?

Primeiro Emprego: Panfletista de Lanchonete Turca

Eu e meus companheiros de casa estávamos indo para a faculdade quando fomos abordados por um grupo de jovens distribuindo panfletos de uma kebabeira (lanchonete turca que vende kebab). Perguntei a um dos razapes: ”Hola, como hago yo para trabajar como tú?!” Ele respondeu que, por sorte, um dos donos estava ali naquela hora, que era pra eu conversar com ele. Esse “um dos donos” era um cara de uns 20 e poucos anos, loiro, de cabelo até os ombros. Meio grunge, meio estranho.

O cara disse que estava mesmo precisando e já iríamos começar no dia seguinte, em pleno sábado. As 10 da manhã estávamos lá no local combinado.

Ele nos meteu eu seu carro e foi nos levar para onde iríamos ficar para distribuir os folhetos. Estávamos no carro de um completo desconhecido, eu, minha ex e uma amiga nossa. O cara dirigia feito um louco e eu tentava pedir pra ele dirigir mais devagar. Ele ria. O esperto quis me deixar primeiro e ficar com as meninas no carro. Sou bobo, mas não sou otário. Disse que não, que eu seria o último. Por fim então ele me deixou numa esquina.

Cara, depois de uma meia hora distribuindo os folhetos, comecei a me perguntar: Que que eu tô fazendo aqui? Deixei a pilha de panfletos num banco e liguei pra casa. Não vou mentir, comecei a chorar desesperadamente. Não era só saudade. Sei lá…

Depois de falar com a minha mãe, me acalmei e tentei levar na boa. Era uma droga, a maioria do pessoal não pegava os folhetos. Seria mais divertido se eles pelo menos pegassem. Eu no início só dava um folheto pra cada pessoa, depois passei a usar a velha tática de dar uns 3 ou 4 pra acabar logo e mostrar serviço. O cara disse que ia nos pegar as 20h. Eu tava contando os segundos para o dia acabar. Ficar em pé naquele frio, naquela situação, era bastante angustiante. Dava 21 mas não dava 20h.

Finalmente deu 20h. Parei de distribuir e fiquei esperando o cara. 20:15. Nada.

Comecei a ficar preocupado com as meninas e fui procurar por elas. Cheguei aonde elas estavam e NADA. Elas simplesmente não estavam lá! CA RA LHO. Minha cabeça começou a pensar nas piores situações possíveis. Fiquei me crucificando, me culpando por ter permitido que elas ficassem longe de mim.

-Você sempre exagerando…Porque você não pegou seu celular e simplesmente ligou pra elas?

-Pq simplesmente elas não tinham celular. Tá satisfeito?

20:30. Nada.

Fui procurar por um orelhão para ligar pro cara. Nada dele atender.

20:45. Nada.

Eu ligava, ligava, ligava. E nada.

21:00. Nada.

Eu já não sabia mais o que fazer. Estava decidido a ir para a Polícia. Mas ao mesmo tempo ficava com medo de sair do ponto onde marcamos pois ele poderia passar e eu não estar.

21:15. Nova tentativa…

–Hola.

-Hola? Eu estou a mais de 1 hora te esperando, te liguei mais de 15 vezes e você não me atendeu!! – eu disse em Espanhol.

-Cálmate.

-Donde estás tu, hombre?

Eu gritava no telefone: DONDE ESTÁS TU? Y LAS CHICHAS?

Ele finalmente disse que a tarde, depois do almoço, colocou elas em outro lugar, com mais movimento. Mandou eu ir pra Lanchonete que elas estariam lá. Caraca, eu desliguei o telefone, tremendo de raiva e sai correndo pro restaurante. Corri mais rápido que o recordista mundial dos 50m livres. Quando cheguei, parecia filme de suspense. Me escondi atrás da pilastra para me certificar que realmente as meninas estavam lá. Não queria que ele me visse, sei lá, ele poderia querer me sequestrar também (na hora do desespero a gente pensa cada coisa!).

Elas estavam lá. Ele ainda não. Ufa, que alívio.

Pensamos em ir embora pra casa, mas se fossemos teríamos trabalhado o dia todo e não iríamos receber nada!

Quando deu umas 21:40 o cara chegou. Ficou mandando piadinhas pras meninas, rindo da minha cara e falando coisas em espanhol todo enrolado para eu não entender. E o pior: ainda quis pagar pelo nosso trabalho só até as 20h, que foi o horário que havíamos combinado. Eu tava com tanta raiva que nem a pau ia sair dali sem receber por essas quase 2 horas de angústia e apreensão.

27 euros. Foi o quanto isso tudo me valeu. 9 horas distribuindo um maldito panfleto amarelo, que manchou meus dedos por uns 2 dias com a tinta de péssima qualidade.

Depois desse dia ainda distribuímos alguns outros dias, mas realmente o esforço não compensava. Frio, cansaço e dores na coluna por muito pouco. Só sei que, daquele dia em diante, decidi NUNCA mais negar um folheto nas ruas. Seja de S.O.S Dinheiro, Aguinaldo Timóteo para Deputado, Trago de Volta o Amor Perdido ou de Loira Sensual FAZ TUDO. Se bem que esse último eu nunca neguei. Nunca se sabe…

Enfim, passei a procurar outro emprego… e achei!

[Continua]

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Angola : Luanda : Pôr do Sol!

Voltar para casa muitas vezes é uma tormenta, pois sei que vou enfrentar aqueeeeeeeele trânsito.
Mas tem dias que Angola me surpreende e me oferece um belo pôr do sol.







"Mas é claro que o Sol vai voltar amanhã.... Espera que Sol já vem!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Espanha : Costa da Morte (continuação)

Capítulo I – Espanha : Costa da Morte!

O paredão se mostrava pra gente, como que fazendo um convite: vem! E fui!

Por sorte encontrei companhia, a Renata, uma das meninas que morava comigo. Detalhe: eu não tenho experiência nenhuma em descer paredões e ainda por cima estava com roupas totalmente inadequadas: calça jeans, que não te dá nenhuma mobilidade, e chinelo Havaianas, que dispensa comentários. Começamos a descida ainda imaginando que não conseguiríamos chegar até o final, mas fomos para ver até onde dava.

Fomos descendo e as pedras começaram a ficar mais úmidas, e escorregadias, mais afiadas e maiores. Quanto mais descíamos, mas queríamos descer.

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-Re, e ai? Descemos mais?

-Vambora!

As pernas tremiam, eu suava frio. Tinha horas que não tinha onde se apoiar para descer e eu ficava ali, parado, pensando no que eu iria fazer.

Mas, mesmo assim, com extrema dificuldade, conseguimos chegar lá! Ficamos em um estado de euforia que não tinha tamanho. Adrenalina despejando nas veias.

Vocês lembram do tamanho do paredão?? Olha isso:

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Nunca mais vou esquecer essa cena, eu, em pleno “fim do mundo”, na Costa da Morte!

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A noite começou a cair e nos lembramos que tínhamos que subir. Naquele momento tudo que eu mais queria era um elevador. A subida, se não foi mais difícil que a descida, foi tête-à-tête. Já estava escuro e as vezes “descer” um muro é mais fácil que subir né! Com certeza o pessoal lá em cima estava entrando em desespero. Ficamos sem dar sinal de vida por umas 2 horas!

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Descemos e subimos aquele paredão sem nenhum arranhão. Acho que dessa vez algum anjo metido a aventureiro me acompanhou.

P.s: Existe uma grande rivalidade entre Fisterra e o Cabo da Roca, em Portugal, sobre ser o ponte mais Oeste da Europa. O importante é que, na época romana, Fisterra era sim o ponto mais Oeste. Hoje em dia Cabo da Roca ganhou a fama, comprovada geograficamente. Mas pra mim, tanto faz, pois tive a honra de conhecer os dois lugares! :)

 

Mais informações: www.costadelamuerte.com

domingo, 31 de outubro de 2010

Espanha : Costa da Morte!

Vocês me conhecem: eu me aventuro onde os anjos receiam pisar.

A próxima parada deste blog é a Costa da Morte, na Espanha.

Tem esse nome por que lá acontecem muitos naufrágios ao longo de sua costa perigosamente rochosa, somada as inúmeras tempestades que avassalam a região. Marinheiros desavisados rapidamente são destruídos.

A Costa da Morte é parte da costa da Galícia, que fica na região Noroeste da Espanha, banhada pelo Oceano Atlântico. Começa em La Coruña, onde morei e que ganhará post exclusivo futuramente, e termina em Fisterra.

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Nossa ideia era fazer um bate e volta no mesmo dia. Para conhecer todas as praias da Costa da Morte seriam necessários uns 3 a 4 dias.

Começamos nosso trajeto em la Coruña e de lá, com uma minivan alugada, partimos rumo ao nosso primeiro ponto: Playa de Razo. Um point dos surfistas.

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Eu estava com uma saudade tão grande das praias cariocas que, mesmo com um frio da porra, me aventurei a dar um mergulho. Dos 8, fui o único corajoso!

No caminho para Malpica, nossa próxima parada, passamos por praias intocadas!

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Malpica é uma cidade bem pequena, mas bem aconchegante.

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De Malpica partimos para Cabo Santo Hadrián e Islas Sisargas.

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Ainda pudemos conhecer Laxe, com seus moinhos de energia eólica e sua areia repleta de algas.

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Depois, fora do nosso roteiro original, avistamos uma praia maravilhosa e fomos lá para conhecer.

Playa Trece, uma das praias mais bonitas que já vi na minha vida, somente atrás de uma em Portugal, que brevemente aparecerá aqui.

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O mais interessante de todos esses lugares é que a maioria ainda é totalmente preservado e inabitado. Pelo menos foi essa sensação que tive. Como fomos ainda na primavera européia, pode ser que a falta de seres humanos nas praias se justifique. Vai saber.

Nosso ponto final era Fisterra. Seu nome deriva da lenda romana que acreditava que ali, por ser o ponto mais oeste da Europa, era o fim do mundo, ou Finis-terrae. A região foi cristianizada pela Igreja Católica, e não é a toa que ali é ponto de encontro de milhares de peregrinos, pois é onde realmente termina o Caminho de Santiago (muita gente acha que o Caminho de Santiago termina na Catedral de Santiago, mas não!).

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A vista lá de cima é deslumbrante: mar, mar e mar. A vontade de descer aquele imenso paredão e chegar até a água beirava a loucura. Eu queria chegar realmente no ponto mais Oeste da Europa! E iria?

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Vista do Topo do Cabo de Fisterra & Vista Lateral do Cabo de Fisterra (Olha o Paredão!)

[Continua]

Digo a bordo : 8

8. É eterno. É pra sempre.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Marrocos : Melhores momentos em Vídeo!

Um detalhe importante sobre minha viagem ao Marrocos. Foi lá que aprendi a sorrir, literalmente!

Vídeo com os melhores momentos:



Capítulo I - Marrocos : Uma expedição por terras muçulmanas!
Capítulo II - Marrocos : Casablanca!
Capítulo III - Marrocos : Marrakech!
Capítulo IV - Marrocos : Deserto do Saara!
Capítulo V - Marrocos : Ainda no deserto do Saara!
Capítulo VI - Marrocos : A volta para a Espanha!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Marrocos : A Volta para a Espanha!

Saímos do hotel por volta das 4 da manhã. Já depois de uns 5 minutos de caminhada, uma das nossas amigas, a Helena, lembra que esqueceu no hotel uma bolsa com souvenirs.

P1040051 copy Eu, Liana, Helena e um pedaço da Carol

Ela decide voltar para buscar, sozinha. Enquanto isso continuamos andando, um pouco mais devagar.

Ela entra no hotel, pega a bolsa rapidamente e sai.

Vocês já devem ter ouvido por ai que é perigoso para as mulheres ocidentais andarem em certos países árabes sozinhas? Podem acreditar.

No que ela sai do hotel, um grupo de uns 3 a 4 homens, vindos de direções diferentes, começam a andar atrás dela, falando coisas que ela não entendeu. Eles tinham uma aparência estranha.

Ela repara e aperta o passo. Eles apertam também.

Desesperada, ela corre. Eles correm também.

Até que, por um instinto de sobrevivência, ela grita.

E eles desistem.

Moral da História: um grito histérico de uma mulher pode valer mais que uma 38 carregada.

Brincadeiras a parte, tomem cuidado. Ela enfim encontra com a gente e nos conta o que aconteceu. Todos, sem exceção, apertam o passo. Sou homem, mas não sou bobo.

De Marrakech, pegamos novamente o trem para Casablanca, de onde sairia o nosso vôo com destino a Madrid.

A partir de agora, todos os momentos inesquecíveis que vivi no Marrocos foram apagados da minha mente. O medo de ser deportado para o Brasil me fazia esquecer qualquer outra coisa. A voz da mulher da extranjería espanhola ressoava nos meus ouvidos:

La extranjería de La Coruña les informa que el permiso de regreso fuera negado. Les aconsejamos que no se van a Marruecos, con posibilidad de deportación.

Caraca, parece que naquele momento a ficha tinha caído. Será que valeria a pena trocar meus estudos na Espanha por uma viagem ao Marrocos? Agora já era tarde.

Pegamos nosso vôo e, exaustos dos 5 dias de aventura, apagamos.

DSC02747 DSC02748

Acordei, já quase pousando em Madrid, assustado. Chegou a hora!

Mal descemos do avião, viramos à esquerda e demos de cara com a tão temida Imigração. Porra, não deu tempo nem de armar nenhum plano super elaborado ou ensaiar um discurso. Como éramos um grupo grande de brasileiros e a maioria deles tinha direito a múltiplas entradas, combinamos que os que não tínham, incluindo EU, ficariam atrás da fila. Nossa simples tática era então fazer com que os funcionários vissem primeiro o passaporte dos nossos amigos e, quando vissem os nossos, não se atentassem para o detalhe dos números de entrada no país. Eu, como sou um bom cavalheiro, fiquei por último. (Cavalheirismo porra nenhuma, se desse merda preferia que não começasse comigo!)

Todos a minha frente passaram sem nenhum problema, os caras da imigração mal olharam os passaportes. Quando fui chamado, já caminhei com ar de vitorioso. Mas comigo foi diferente, pra variar.

(Sobe a música de suspense no fundo)

-Senhor, o que pretende fazer na Espanha?

-Eu sou estudante na Espanha, já moro aqui há 3 meses.

-Mas o senhor é marroquinho? Muçulmano, não é?

-Não! Sou Brasileiro, não viu meu passaporte?

Neste momento o cara ficou olhando para a foto do passaporte e para mim.

Passaporte. Eu.

Passaporte. Eu.

Ele não estava certo do que eu havia acabado de falar, e tinha uma cara de quem não estava pra brincadeira. Ficou mais de 10 minutos digitando e consultando a tela do computador dele. Acho que estava tentando ter a certeza que aquele passaporte não era falso e que eu realmente era brasileiro. Mais uma vez fui confundido com um árabe. Eu não sabia o que fazer, suava mais que um porco (porco sua?).

-Pode passar!

Ufa, nunca um som de um carimbo me fez tão feliz na minha vida.

Madrid – Entrada – 21 de Maio de 2007

Meus amigos já estavam desesperados do outro lado do saguão, achando que eu tinha sido “pego” e já estava sendo levado para o voo com destino ao Brasil. Até que eu apareço…

(Desce a música de suspense e sobe “We are the Champions”, que é usada em toda festa de formatura. Eu disse toda).

Fui recebido com honras, glórias e fogos de artifício pelos meus amigos.

Ei, pera aí. Você acha que a aventura acabou aqui? Nada disso.

(Sobe a música de suspense, de novo!)

Por questões ecônômicas, nosso vôo para La Coruña só saia no dia seguinte. E para nossa grata surpresa descobrimos que estávamos COMPLETAMENTE SEM DINHEIRO. Nessa de acharmos que estávamos ricos no Marrocos, torramos a porra toda sem perceber. Só sei que no final das contas, não tínhamos dinheiro nem para sair do aeroporto. Troquei 15 reais que eu achei perdidos na minha mochila por menos de 5 euros, o que me garantiu um sanduíche de queijo e presunto e meia coca-cola. Foi a minha única refeição do dia. E pelo aeroporto ficamos.

A noite chegou, fizemos nossas “camas” e dormimos por lá mesmo, para no dia seguinte bem cedinho voltarmos para nossa cidade.

DSC02751

E no final, salvaram-se todos. E o que ficou? Uma experiência que levarei comigo para sempre.

(Sobem os créditos)

domingo, 24 de outubro de 2010

Marrocos : Ainda no Deserto do Saara!

Ter a sensação de acordar em plenas areias do Deserto do Saara é realmente inesquecível.

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E sem nenhuma picada nem de cobra nem de escorpião é melhor ainda! Para os que acharam que eu exagerei, dá uma olhada na foto que fizemos do lado de fora da nossa tenda:

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O deserto de dia é ainda mais bonito do que o deserto de noite, mesmo com todo aquele céu estrelado. Ver ali, na sua frente, aquelas dunas todas marcadas pelo vento é sensacional.

dunas morocco_property_buying

Tomamos café da manhã (dessa vez sem Tajine!!) e depois tivemos uns minutos para aproveitar aquele lugar. Não foi muito tempo, mas pudemos eternizar este momento em algumas muitas fotografias e “roubar” um pouquinho daquela areia.

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Depois montamos novamente em nossos camelos e zarpamos de volta a Zagora, para de lá pegarmos a van que nos levaria a Marrakech.

Não sei se minhas pernas ainda estavam meio adormecidas da noite anterior, mas a volta em cima do camelo não foi tão traumática e dolorosa quanto a vinda. A paisagem ajudou bastante também a anestesiar o incômodo.

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Praticamente as duas horas de “viagem” foram embaladas por aquela marchinha de carnaval:

“Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O Sol estava quente e queimou a nossa cara
Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô...”

Cantar essa música realmente atravessando o deserto do Saara fazia todo sentido. Mas confesso que exageramos! Mal acabávamos de cantar, alguma outra pessoa já recomeçava! Tentei lembrar de alguma outra música que falasse do Deserto, mas não lembrei. Entrei no clima e puxei de novo:

“Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô …”

Ao chegar em Zagora, fomos a uma loja de tapetes (onde obviamente o motorista ganharia uma boa comissão). O vendedor tinha maior cara de 171, mas até que nos recebeu bem. Mando nos servir chá, pra variar um pouquinho.

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No caminho de volta, já dentro da van, pudemos conhecer um estúdio de cinema onde foram rodados alguns filmes hollywoodianos. O estúdio fica em Ourzazate e se chama Atlas Film Studios. Lá foram gravadas cenas de A Múmia, O Gladiador, Cleópatra…dentre inúmeros outros! Parece um pouco abandonado, mas vale o passeio!

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As 10 horas de volta na van foram bem cansativas, pois a ansiedade de chegar no deserto havia acabado e as curvas das montanhas do Altas estavam me enjoando. Eu não via a hora de chegarmos de volta a Marrakech. Mas não só por isso…

Vocês repararam que em nenhum momento eu citei a palavra banho? Faz o seguinte: dá um “localizar (Ctrl + F)” nesta palavra e repare que ela só aparece agora. É isso mesmo, estávamos já a quase 36 horas sem banho. Não porque queríamos, óbvio. Mas no deserto não tem essa “infra-estrutura”. Mal tínhamos água para lavar as mãos e ir ao banheiro. Faz parte né? Vai dizer que você por muito menos nunca ficou 36 horas sem banho? Pára!

Já a noite, finalmente de volta a Marrakech, descobrimos que a Lívia, uma das nossas companheiras de viagem, esqueceu a carteira dela na van. Na mesma hora ligamos pro Shakira, o tal dono da agência e ele fez de tudo para encontrar o motorista. Achávamos que seria quase impossível que “aquele motorista que era um traficante de drogas” fosse ter a bondade de devolver a carteira. E teve. Será mesmo que naquele envelope tinha droga? Deixa pra lá, melhor tomar um bom banho e ainda aproveitar o finalzinho do dia por lá.

P1040065 copy Nós, a carteira e o Shakira (do lado da Lívia)!

Nosso vôo de volta sairia de Casablanca no dia seguinte. Pensar nesse vôo Marrocos x Espanha me fazia suar frio. [Quem não sabe porque, leia o primeiro capítulo!]

[Continua]

Capítulo I – Marrocos : Uma expedição por terras muçulmanas!

Capítulo II – Marrocos : Casablanca!

Capítulo III – Marrocos : Marrakech!

Capítulo IV – Marrocos : Deserto do Saara!

 

 

Digo a Bordo!

"Ao retornar de uma viagem, não sei se o mundo diminuiu ou eu é que cresci."

Quer sugerir um destino? Tirar Dúvidas? Ou somente elogiar mesmo?
Escreva para rodrigofranco@digoabordo.com
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